O RmP - Ritual menor do Pentagrama
Atualizado: 15 de ago.

O artigo de hoje é sobre uma das técnicas mais praticadas, e mais ensinadas, de toda a tradição ocidental. Usada por estudiosos de quase todas as vertentes, tal qual equilibradores e alunos da Nexo do Oriente. Em todas as aulas da Nexo em que abordo o RmP costumo repetir a mesma coisa: A aparente simplicidade dele não condiz com seus efeitos grandiosos. Por trás dos poucos minutos de pratica mora um sistema profundo, multidimensional, que opera em vários níveis do ser e da realidade ao mesmo tempo. Esta longe de ser só um exercício de proteção ou de purificação básica, o RmP é uma tecnologia espiritual sofisticada pra alinhar as forças microcósmicas e macrocósmicas e preparar o operador para abordagens mais complexas e exercícios mais avançados. .
Neste artigo, busco apresentar toda estrutura na sua forma mais próxima da original e autêntica, baseado nos documentos primários da Ordem Hermética da Aurora Dourada, a Golden Dawn, com contexto histórico, explicações simbólicas e instruções práticas detalhadas pra executar tudo corretamente.

Os Rituais do Pentagrama e do Hexagrama foram criados pela Ordem Hermética da Aurora Dourada, organização esotérica fundada em Londres por volta de 1888 por William Wynn Westcott, Samuel Liddell MacGregor Mathers e William Robert Woodman, assim como sua "irmã", a Rosae Rubeae et Aureae Crucis.
E como nos disse Alan Willms: "Ambos formam a sequência de rituais mais conhecidos e amplamente praticados das tradições ocidentais. No entanto, muitos dos esboços publicados, incluindo alguns dos mais populares, apresentam embelezamentos e alterações que não estão presentes nos documentos originais da Ordem Hermética da Aurora Dourada, documentos que permanecem sem terem sido publicados em suas formas completas, inalteradas e não editadas." Se você procurar agora mesmo, vai achar uma dúzia de versões diferentes do Ritual do Pentagrama na internet, cada uma jurando ser a certa. E é exatamente essa bagunça que faz o estudante perder os reais benefícios da pratica. Isso começou a acontecer depois da dissolução parcial da Golden Dawn original, nos primeiros anos do século XX. Dali em diante, o RmP passou por adaptações e modificações através de seus principais herdeiros: ● Aleister Crowley (1875-1947): adaptou o ritual para o sistema Thelêmico, criando variantes como o "Ritual da Estrela de Rubi". ● Dion Fortune (1890-1946): incorporou elementos de psicologia junguiana. ● Israel Regardie (1907-1985): foi o único que publicou os rituais em "The Golden Dawn" (1937-1940) e "The Middle Pillar" (1938), democratizando o acesso a estas práticas. ● Sociedades Neo-Pagãs: adaptaram o ritual para contextos wiccanianos e neopagãos. Vale registrar que muitas dessas adaptações, mesmo populares, se afastam bastante da forma original documentada nos manuscritos da Aurora Dourada. Aqui, a Nexo do Oriente busca a versão mais próxima possível dos documentos primários, principalmente os manuscritos de George Pollexfen, membro original da Ordem.
Com o Ritual Menor do Pentagrama, trabalhamos de dentro pra fora, no interior do próprio EU. O objetivo maior é equilibrar o microcosmo: fortalecer o Corpo de Luz, estabelecer o Círculo Mágico, proteger e expandir a aura, limpar influências indesejadas. Na prática, é um bom exercicio contra ataques psíquicos e astrais. Por isso, toda essa estrutura ritualística atua simultaneamente em vários níveis e serve pra vários propósitos ao mesmo tempo. Entre eles:
1. Purificação e Proteção básica
● Microcósmica: ajuda á equilibrar as energias elementais no praticante ● Ambiental: ajuda á purificar o espaço sagrado ● Astral: ajuda a estabelecer proteção contra influências indesejadas
2. Preparação Mágica
● Estabelecimento do Círculo Mágico: cria um espaço-tempo consagrado ● Alinhamento de Consciência: coloca o operador no estado mental apropriado ● Ativação do Corpo de Luz: ajuda á despertar e fortalecer o veículo sutil do praticante
3. Desenvolvimento Espiritual
● Unificação das Faculdades: integra pensamento, sentimento, intuição e sensação ● Equilíbrio Elemental: busca harmonizar as qualidades elementais no praticante ● Conexão Divina: estabelece conexão com aspectos divinos através dos nomes sagrados que devem ser usados com muita prudencia
4. Aplicações Práticas
● Abertura e Encerramento de praticas mais complexas ● Meditação: como objeto de contemplação e foco ● Exorcismo Menor: para purificação de espaços e pessoas ● Treinamento em Visualização: desenvolve capacidades imaginativas ● Preparação para Trabalhos Astrais: protege o corpo durante projeções conscientes
Como Crowley indicou na epígrafe, o ritual transcende suas funções aparentes, funcionando como uma chave alquímica ("a Medicina dos Metais") e gnóstica ("a Pedra dos Sábios") quando compreendido em sua totalidade.
Podemos fragmentar o RmP em sua forma mais simples em três partes:
● A Cruz Cabalística ● Os Pentagramas ● As quatro direções
Antes de entrar em cada estágio do ritual, vamos ver o método original da Ordem Hermética da Aurora Dourada na integra:

Ritual Menor do Pentagrama: Volte-se para o Leste.
(Segundo o documento original da Ordem Hermética da Aurora Dourada de George Pollexfen, se a pessoa não tiver um instrumento, como um athame, em mãos, poderá usar o dedo indicador de sua mão dominante.)
Aponte seu dedo indicador para cima e deixe a mão dominante livre para as seguintes ações: 1. Tocando a testa com o dedo indicador, diga: ATEH ("A Ti", foneticamente: "Ah-Táh"). 2. Tocando o centro do seu peito, diga: MALKUTH ("O Reino", foneticamente: "Mal-Kut"). 3. Tocando seu ombro direito, diga: VE-GEBURAH ("E o Poder", foneticamente: "Ve-Gue-Bu-Rá"). 4. Tocando seu ombro esquerdo, diga: VE-GEDULAH ("E a Glória", foneticamente: "Ve-Gue-Du-Lá"). 5. Junte as mãos sobre o peito, unindo as duas palmas das mãos, cruzando os dedos para formar cinco cruzes com elas (segundo consta no documento original da OHAD de George Pollexfen), segurando sua adaga pelo cabo entre as palmas, com a ponta para cima, se você estiver usando uma. 6. Em seguida, diga: LE-OLAHM ("Às Eras", foneticamente: "Lê-O-Lam"). AMEN. (Os passos de 1 a 6 são conhecidos como A Cruz Cabalística.)
Essas cinco palavras da Cruz Cabalística formam uma frase que poderia ser traduzida aproximadamente como "A Ti pertence o Reino, o Poder e a Glória pelos séculos, Amém". É uma adaptação da doxologia cristã derivada do Pai Nosso. Cada palavra corresponde a uma Sephirah específica na Árvore da Vida:
● ATEH (Testa) = Kether (A Coroa) ● MALKUTH (Peito/Plexo) = Malkuth (O Reino) ● VE-GEBURAH (Ombro Direito) = Geburah (Severidade/Poder) ● VE-GEDULAH (Ombro Esquerdo) = Chesed (Misericórdia/Glória) ● LE-OLAHM (Centro) = Tiphareth (Beleza/Harmonia)
7. Volte-se para o Leste, ou vá até a extremidade leste do seu local de trabalho, se possível, e trace um Pentagrama no ar diante de você, usando sua adaga, ou seu dedo indicador da mão dominante. Em seguida, aponte sua adaga (ou seu indicador) em direção ao centro do Pentagrama e entoe: Y.H.W.H (foneticamente: "Yod RRe Vav RRe" [RR como na palavra caRRo). Os documentos originais da OHAD de George Pollexfen indicam que se deve pronunciar cada letra separadamente, desta maneira. O documento também diz que "O pentagrama deve ter um tamanho razoável, digamos a altura de um homem ou mais".
8. Volte-se para o Sul, mantendo o braço estendido visualizando uma linha sendo traçada do centro do primeiro Pentagrama até o ponto onde você vai desenhar o segundo. De frente para o Sul, trace outro pentagrama e apontando em direção ao centro dele e entoe: ADONAI (foneticamente: "A-Do-Nai" = אדני, "Meu Senhor").
9. Volte-se para o Oeste, mantendo o braço estendido como antes. No Oeste, trace o Pentagrama e entoe: EHEIEH (o documento original fornece a pronúncia como: "Ê-Yê" = אהיה, "Eu Sou").
10. Volte-se para o Norte e repita da mesma forma, agora traçando um quarto Pentagrama, e entoe: AGLA (foneticamente: "A-Gla". - AGLA é um "notariqon" de "Atah Gibor Le-olahm Adonai", "Tu és poderoso para sempre, Senhor", porém os documentos originais da OHAD indicam que simplesmente "Agla" deve ser pronunciado).
11. Volte-se para o Leste, traçando a linha como antes, até atingir o ponto central do primeiro Pentagrama, e assim complete o círculo. Em relação à entonação dos Nomes Divinos nas etapas 7 a 10, os documentos originais da Golden Dawn instruem a pessoa a "respirar fundo e pronunciar lentamente o nome", "pronunciando-o para fora na respiração e vibrando-o o máximo possível", e em outro lugar: "vibre-os o máximo possível para dentro com a respiração expirada, não necessariamente em voz alta, mas com vibração".
12. Voltando ao centro do círculo já completo, de frente para o Leste, estenda os braços completamente de ambos os lados, para que seu corpo e braços formem uma cruz, segurando sua adaga, se você estiver usando uma, com a ponta para cima na sua mão direita. Diga: "Diante de mim, Rafael" (foneticamente: "Ra-Fi-El"). Visualize o Arcanjo Rafael à sua frente, vestido em amarelo e púrpura, carregando um cajado ou espada, com asas em movimento constante, emanando o elemento Ar. "Atrás de mim, Gabriel" (foneticamente: "Ga-Bri-El"). Visualize o Arcanjo Gabriel atrás de você, vestido em azul e laranja, carregando um cálice, com pés mergulhados em água, emanando o elemento Água. "À minha direita, Mikhael" (foneticamente: "Mi-Ka-El"). Visualize o Arcanjo Miguel à sua direita, vestido em vermelho e verde, carregando uma lança ou bastão, envolto em chamas, emanando o elemento Fogo. "À minha esquerda, Auriel" (foneticamente: "U-Ri-El"). Visualize o Arcanjo Uriel à sua esquerda, vestido em cores terrosas (preto, verde oliva, marrom), carregando um pentáculo ou escudo, emanando o elemento Terra.
"Diante de mim flameja o Pentagrama, e atrás de mim brilha a Estrela de seis raios."
Alterações posteriores, realizadas por Crowley e Israel Regardie, registram este final da seguinte forma: "Pois ao meu redor flamejam os pentagramas, e na coluna do meio brilha a estrela de seis raios."
Visualize os pentagramas nas quatro direções flamejando com mais intensidade, e uma estrela de seis pontas (hexagrama) de luz dourada brilhando acima e abaixo de você, conectados pela coluna de luz.
Segundo alguns autores, essa "oração" originou-se de uma oração judaica tradicional dita antes de dormir, conforme documentado pelo rabino Samson Raphael Hirsch em Sidur Tefilot Yiśraʾel:
"B'shem Adonai Elohei Israel, mimini Michael, umis'moli Gabriel, umilfanai Uriel, umai'achorai Raphael, v'al roshi sh'ckinat El." Traduzindo: "Em Nome de Deus, o Deus de Yisrael: que Miguel esteja à minha direita, Gabriel à minha esquerda, Uriel à minha frente, Rafael atrás de mim, e acima de minha cabeça, a presença de Deus."
13. Repita as etapas 1 a 6. Esta segunda execução da Cruz Cabalística completa e encerra o ritual. Durante a visualização, ao norte, sul, leste e oeste do círculo, são estabelecidos os pentagramas de banimento do elemento Terra, traçados com a arma apropriada (bastão, espada ou o próprio dedo indicador). À medida que esses pentagramas são formados no ar, todo esforço deve ser feito no sentido de transmitir vitalidade e realidade a eles, de tal modo que fiquem quase palpáveis ao operador. Pra entender melhor como isso funciona, indico a leitura do artigo sobre visualização plastica aqui na Nexo do Oriente.
O pentagrama deve ter aproximadamente a altura de uma pessoa. Enquanto traça, visualize o pentagrama como uma chama azul-branca que permanece no ar. Durante a pronuncia, aponte para o centro do pentagrama com seu instrumento (ou dedo) e inspire profundamente. Ao exalar, vibre o nome divino: a vibração deve ser feita lentamente, projetando o som para dentro do pentagrama, enquanto você visualiza o pentagrama flamejando mais intensamente ao receber o nome divino.
As formas de invocação e banimento dos rituais do pentagrama são idênticas, exceto pelos pentagramas em si.
A tradição da Golden Dawn e da Thelema ensinam que as palavras são vibradas numa voz especial. A vibração vocal serve pra elevar e direcionar a energia do corpo em pontos-chave do ritual. Aqui é de grande valor se você já tiver algum conhecimento prévio de como trabalhar o Chakra Laríngeo.

Existem vários métodos de vibração de nomes divinos, às vezes envolvendo visualizações simultâneas. No geral, deve haver pelo menos uma projeção alta, profunda e clara da voz:
1. Inale profundamente, enchendo completamente os pulmões. 2. Visualize a energia acumulando-se em seu plexo solar. 3. Exale lentamente, pronunciando o nome numa nota única e constante, fazendo com que todo o seu corpo vibre com o som.
4. Direcione a vibração para o centro do pentagrama correspondente. 5. Perceba a vibração continuando mesmo depois que o som físico já tiver cessado.
A vibração adequada produz uma sensação física distinta no corpo, como um formigamento ou um zumbido sutil. Yod-Heh-Vav-Heh é o nome israelita de Deus, o Deus de Abraão. Na Torá, Deus proíbe a pronúncia do próprio nome em vão, de modo que a pronúncia correta foi esquecida há muitos milênios. A que temos hoje é o mais próximo possível da pronuncia padrão reconhecida em Israel, por tanto deve ser utilizada com cautela.
Adonai tem origem no hebraico e significa "meu Senhor". Era o nome de Deus usado no Antigo Testamento em vez do nome divino proibido. Eheieh se traduz como Eu Sou. Foi o nome atribuído a Deus por Moisés durante sua peregrinação pelo deserto, antes de libertar os judeus e guiá-los à terra santa. AGLA é uma abreviatura formada pelas letras iniciais da frase "Atah Gibor le-Ohlahm Adonai", e pode ser dito no lugar da frase completa. Significa: "Tu és poderoso para sempre, Adonai".
Esses quatro nomes são chamados de "nomes tetragramáticos" por Mathers e compartilham uma estrutura quádrupla em comum. Representam a Unidade do nome como um todo, simbolizando o Espírito e os quatro aspectos da manifestação. Sua colocação nos quatro quadrantes recapitula o significado estrutural de todo o ritual.
Existem diversas visualizações usadas durante o RmP. E elas fazem parte das tradições orais associadas às vertentes ritualísticas e podem variar bastante entre indivíduos e crenças. O resumo a seguir é apresentado como um conjunto relativamente padrão:
Ao fazer a Cruz Cabalística, visualize uma corrente de energia na forma de luz branca flamejante e radiante descendo pelo corpo, passando pelo peito para formar uma cruz.
Visualize cada Pentagrama em luz branca, ou numa cor apropriada para o elemento correspondente.
Enquanto se move em sentido horário, desenhe um círculo em branco ao nível do coração.
Finalmente, imagine os Arcanjos sobre o círculo, invocando seus nomes. Podem ser figuras angelicais tradicionais de estatura gigante, vestidas com suas cores elementares e armadas com suas armas correspondentes. Os quatro Arcanjos correspondem aos quatro elementos e às quatro direções cardeais:
● Rafael (Leste/Ar): nome que significa "Deus Cura", associado à inteligência, comunicação e saúde.
● Gabriel (Oeste/Água): nome que significa "Força de Deus", associado às emoções, intuição e subconsciente.
● Miguel (Sul/Fogo): nome que significa "Quem é como Deus?", associado à força, vontade e transformação.
● Uriel (Norte/Terra): nome que significa "Luz de Deus", associado à manifestação material, estabilidade e recursos.
Na Golden Dawn é comum o Neófito realizar o Sinal do Entrante e, em seguida, o Sinal do Silêncio, embora esse seja um costume usado só na GD, de modo que versões alternativas costumam descartar esse sinal.

A Cruz Cabalística Usamos a Cruz Cabalística de maneira microcósmica em relação à Árvore da Vida. Em outras palavras: ao formar a Cruz, você se visualiza de costas para a Árvore da Vida microcósmica, e de frente para a Árvore da Vida Macrocósmica, de modo que as Sephiroth chamadas Geburah e Gedulah (Hesed) estão localizadas à sua esquerda e direita, respectivamente.
As palavras de poder são conjuradas ao fazer a Cruz Cabalística. A frase em sua totalidade é: "Atah Malkuth, ve Geburah, ve Gedulah, le ohlahm Amen", que significa: "A ti é o reino, o poder e a glória pelos séculos, Amém."
Atah ("para ti") é falado enquanto se toca a testa, representando Kether, o topo da Árvore da Vida, numa referência ao ser espiritual mais elevado. Malkuth ("o reino") é dito enquanto se toca a parte inferior do corpo, atribuída à Sephirah de mesmo nome, que representa a realidade material. Ou seja: a realidade é o reino do ser espiritual mais elevado. A barra horizontal da cruz é desenhada ao recitar Ve geburah, Ve gedulah ("o poder e a glória"), indicando os Pilares da Severidade e da Misericórdia na Árvore da Vida. As mãos são então colocadas sobre o coração enquanto se diz "le ohlahm Amen" ("até os séculos, Amém"). Segundo os thelemitas, uma visualização poderosa pra fazer durante a Cruz Cabalística é a de se ver crescendo em estatura: imagine a si mesmo se expandindo durante o ritual em proporções tremendas, até os limites da própria imaginação. Esse exercício de expansão da consciência parece ter ressonância arquetípica, embora não seja amplamente explorada por membros da Nexo. Os Pentagramas Durante o RmP, os pentagramas são traçados nas posições cardeais. Geralmente usa-se o pentagrama da Terra para o Ritual Menor do Pentagrama de banimento.
Geralmente, seus cinco pontos devem coincidir com certas partes do corpo: os dois pontos mais baixos com as coxas esquerda e direita, os dois pontos superiores com os ombros esquerdo e direito, e o ponto mais alto com a testa. Isso não é uma regra rígida, mas ajuda bastante na visualização para manter o mesmo tamanho entre eles.
Cada linha do pentagrama segue uma sequência de respiração que deve ser feita enquanto se faz o traçado: Inspirando no traçado para cima, expirando quando traçar uma linha para baixo e prendendo a respiração ao traçar a linha reta do pentagrama.
No RmP usa-se geralmente o elemento Terra, porque tradicionalmente ele é entendido como a consolidação dos outros três elementos. No Sepher Yetzirah, por exemplo, a Terra é o resultado da combinação igual de Ar, Fogo e Água. Por isso, dentro do contexto do RmP, o Pentagrama da Terra deve ser entendido como um substituto pra qualquer um dos outros elementos.
As Quatro Direções A atribuição geral é para os quatro elementos, com o operador posicionado no centro, representando o Espírito.
Segundo o projeto XAOZ, uma associação possível, apenas como exemplo, seria a seguinte:
● Leste com Fogo, devido ao nascer do Sol
● Oeste com Água, devido ao pôr do Sol
● Norte com Ar, devido à leveza deste elemento
● Sul com Terra, devido à densidade deste elemento
Mas embora a atribuição padrão mencionada no documento original associe os elementos às direções de forma específica, existem variações importantes:
Sistema Golden Dawn Tradicional
● Leste: Ar (Amarelo)
● Sul: Fogo (Vermelho)
● Oeste: Água (Azul)
● Norte: Terra (Verde/Negro)
Sistema Enochiano
● Leste: Ar
● Sul: Terra
● Oeste: Água
● Norte: Fogo
Sistema Thelêmico (Crowley)
● Leste: Ar/Fogo (varia conforme o contexto)
● Sul: Fogo/Terra
● Oeste: Água/Ar
● Norte: Terra/Água
A escolha do sistema deve ser consistente com a tradição específica seguida pelo praticante.
Adaptando o Ritual pra Outros Fins
Embora tenhamos apresentado a fórmula mais tradicional possível do RmP, toda a sua estrutura pode ser adaptada pra propósitos específicos. Entre eles: Banimento Potencializado ● Execute a operação normalmente, mas após o circuito de pentagramas, visualize uma expansão explosiva de luz partindo do centro e empurrando pra longe todas as influências negativas. Preparação para Trabalho Astral ● Execute a operação com ênfase na visualização dos Arcanjos. ● Visualize o corpo de luz se formando dentro do círculo protetor. Consagração de Espaço Permanente ● Execute a operação diariamente no mesmo local por um período de 28 dias. ● Ancore os pentagramas em objetos físicos colocados nas direções cardeais. ● Visualize as energias se acumulando e se estabilizando a cada ritual repetido.
Práticas Avançadas de Meditação ● Use o RmP como entrada para estados meditativos profundos. ● Depois de completar o ritual, sente-se no centro e medite nos nomes divinos. ● Explore as qualidades elementais de cada direção através da visualização dirigida.

Os Múltiplos Níveis do Ritual Pra além da mecânica operacional o RmP também age em vários níveis de consciência ao mesmo tempo:
Nível Psicológico ● Integração das funções psíquicas (Pensamento-Ar, Sentimento-Água, Intuição-Fogo, Sensação-Terra) ● Estabelecimento de "fronteiras psíquicas" saudáveis ● Centralização da consciência
Nível Energético ● Limpeza e equilíbrio dos chakras ● Fortalecimento do campo áurico ● Harmonização das correntes elementais no corpo sutil
Nível Espiritual ● Conexão com os aspectos da Divina Providencia ● Interação com as inteligências arquetípicas dos Arcanjos ● Elevação da consciência para estados superiores
Erros Comuns Essa é a parte que mais recebo pergunta dos alunos da Nexo, então vale a pena ir direto ao ponto:
Problemas de visualização Erro: visualização fraca ou inconsistente. Correção: pratique exercícios de visualização separadamente, leia o artigo da Nexo sobre Visualização Plastica. Comece com objetos simples e progrida pra imagens mais complexas. Use todos os sentidos na visualização, não só a visão.
Problemas com os pentagramas Erro: traçado incorreto dos pentagramas. Correção: pratique o traçado devagar, garantindo que o pentagrama esteja corretamente orientado e proporcionado. O pentagrama de banimento da Terra começa no canto inferior esquerdo e termina no mesmo ponto. Erro: confusão entre pentagramas de invocação e banimento. Correção: no Ritual Menor, usa-se exclusivamente o pentagrama de banimento da Terra, começando no ponto inferior esquerdo. Os pentagramas elementais específicos ficam só pro Ritual Maior do Pentagrama.
Problemas com os nomes divinos Erro: pronunciação rápida ou incorreta dos nomes divinos. Correção: estude a pronúncia correta. Pratique a vibração lenta e ressonante. Concentre-se na qualidade energética de cada nome, não só no som. Estude sobre o chakra laríngeo
Problemas de orientação Erro: orientação incorreta das direções cardeais. Correção: use uma bússola pra determinar as direções precisas antes de iniciar. Na impossibilidade, use o sol ou as estrelas como referência, ou estabeleça direções simbólicas conscientemente.
Problemas de integração Erro: execução mecânica, sem engajamento emocional ou espiritual. Correção: aborde o ritual como uma comunicação sagrada, não como um exercício mecânico. Cultive a atitude de reverência e conexão com a Divina Providencia.
Informações Adicionais Depois do declínio da Ordem Hermética da Aurora Dourada, figuras como Aleister Crowley e George Cecil Jones reorganizaram os ensinamentos centrais, propondo um método espiritual abrangente e integrado. O periódico The Equinox foi o veículo que popularizou muitas práticas mágicas e iniciáticas vindas dos antigos rituais da Ordem, embora as edições publicadas frequentemente passem por simplificações e embelezamentos que alteram a abordagem original dos textos.
Modificações do Ritual Menor do Pentagrama As operações foram adaptados em obras importantes de Crowley, como o Liber O e Magick in Theory and Practice. Entre as principais mudanças: ● Eliminação da menção ao gesto de traçar as "cinco cruzes" com os dedos ao concluir a Cruz Cabalística. ● Mudança na pronúncia do nome divino. ● Revisão de fórmulas, onde a descrição da disposição do Pentagrama e da Estrela de seis raios passou de um posicionamento "diante" e "atrás" para uma configuração em que o símbolo se estende ao redor do praticante e se organiza em torno de uma coluna central, ressaltando o equilíbrio intrínseco entre as energias. A Prática do Ritual de Banimento Crowley enfatizava o papel primário do ritual de banimento pra preparar o campo energetico. Segundo seus ensinamentos, toda operação deveria ser executado diariamente, até três vezes, pra purificar o ambiente e estabelecer um círculo inviolável, servindo tanto pra afastar energias perturbadoras quanto pra invocar a proteção de Deus, embora o costume da Nexo ensine que isso não descarta a oração solene e pessoal ao Divino.
As instruções práticas detalham um movimento preciso com o braço direito, usando o dedo indicador pra traçar o pentagrama no ar, a partir de pontos específicos do corpo que correspondem aos quadrantes cardeais. Mantido com rigor e precisão, esse movimento projeta o símbolo sagrado, que atua como um selo energético.
Instruções Específicas e Elementos de Visualização
Documentos posteriores, como um texto datilografado de 1947, acrescentam novas camadas ao ritual: o uso de uma adaga de aço, provavelmente sem ponta cortante, durante a execução da Cruz Cabalística, intensifica a conexão com os símbolos. Ao toque de pontos-chave do corpo, palavras específicas são pronunciadas: da testa, à adição de "Ateh" e "Aiwass", culminando na evocação de "Malkuth". Essa substituição vai até a finalização, quando "AMEN" é substituído por "AUMGN".
O praticante é instruído a imaginar cada ponto tocado como uma esfera de luz vibrante, e uma corrente luminosa que forma uma cruz no corpo. Também se detalha o uso de técnicas de vibração dos nomes divinos, em que as letras hebraicas, inspiradas na respiração, geram sensações físicas, como formigamento e sudorese, que confirmam o êxito do processo. A visualização ideal recomenda imaginar os pentagramas numa luz dourada e intensa, estabelecendo uma conexão que transcende o plano físico.

O Ritual Menor do Pentagrama, apesar da aparente simplicidade, carrega em si toda a essência da tradição ocidental. A prática regular transforma, aos poucos, a consciência de quem pratica, estabelecendo uma ponte entre o mundano e o divino, embora seja necessária a fé do praticante em relação a existência das potencias mencionadas e do Divino Sagrado.
Como observou Aleister Crowley, quando compreendido em sua totalidade, este ritual se torna "a Medicina dos Metais e a Pedra dos Sábios", uma chave para a transmutação interior e o conhecimento direto das realidades superiores.
A prática diária é fortemente recomendada, idealmente ao amanhecer e ao anoitecer, criando um ritmo que harmoniza o praticante com os ciclos cósmicos. Com o tempo e a prática constante, o ritual se internaliza, e pode eventualmente ser feito por completo no plano mental, sem necessidade de movimentos físicos.
Lembre-se sempre: como toda prática autêntica, o RmP não é um fim em si mesmo, mas apenas uma ferramenta pro despertar da consciência e a realização da obra Divina.
Aqui na Nexo do Oriente temos o costume de encerrar a operação com as seguintes palavras:
"O círculo está traçado. A luz de Yehoshua Mashiach está invocada. O templo está purificado no sagrado nome de El Shaddai. Que assim seja."
Bibliografia Recomendada
● Israel Regardie – A Aurora Dourada: O Relato Original dos Ensinamentos, Ritos e Cerimônias da Ordem Hermética (Llewellyn, 1989).
● Chic & Sandra Tabatha Cicero – Auto-Iniciação na Tradição da Golden Dawn (Llewellyn, 1995).
● Donald Michael Kraig – Magia Moderna: Doze Lições nas Artes da Alta Magia (Llewellyn, 2010).
● Aleister Crowley – Liber O vel Manus et Sagittae, em Magia: Liber ABA, Livro Quatro (Weiser, 1997).
● Dion Fortune – A Cabala Mística (Weiser, 2000).
● Pat Zalewski – Rituais e Comentários da Golden Dawn (Edição Privada, 2016).
● Gareth Knight – Guia Prático para o Simbolismo Cabalístico (Weiser, 2001).
● S.L. MacGregor Mathers – A Cabala Desvelada (Weiser, 1989).
● Francis King – Magia Ritual Moderna: A Ascensão do Ocultismo Ocidental (Prism Press, 1989).
● R.A. Gilbert – A Golden Dawn: O Crepúsculo dos Magos (Aquarian Press, 1983).
Este texto é oferecido pela Nexo do Oriente como um guia prático e teórico pro estudo do Ritual Menor do Pentagrama, baseado nas fontes originais da tradição da Aurora Dourada e em práticas comprovadas. Que a Divina Providencia vos guie.

