Ritual de Banimento do Pentagrama
- O.B.M.

- 22 de out. de 2022
- 18 min de leitura
Atualizado: 9 de abr. de 2025

"Aqueles que consideram esse ritual como um mero dispositivo para invocar ou banir espíritos, não é digno de possuí-lo. Devidamente entendido, é a Medicina dos Metais e a Pedra dos Sábios" - Crowley, Palace of the World
O artigo a seguir trata-se de um estudo do ritual mais abordado atualmente, utilizado amplamente por estudiosos do oculto, magistas, equilibradores e membros da Oslum: O Ritual Menor do Pentagrama. O RmP constitui uma das práticas fundamentais da tradição mágica ocidental moderna. Sua aparente simplicidade mascara um sistema profundo e multidimensional que opera simultaneamente em diversos níveis do ser e da realidade. Longe de ser apenas um exercício de proteção ou purificação básica, o RMP representa uma tecnologia espiritual sofisticada para o alinhamento das forças microcósmicas e macrocósmicas.
Neste Artigo, nós da Oslum buscamos apresentar o ritual em sua forma original e autêntica, baseando-se nos documentos primários da Ordem Hermética da Aurora Dourada (Golden Dawn), enquanto oferece o contexto histórico, explicações simbólicas e instruções práticas detalhadas para sua correta execução.
O Ritual do Pentagrama (e do Hexagrama) foram criados pela Ordem Hermética da Aurora Dourada, organização esotérica fundada em Londres por volta de 1888 por William Wynn Westcott, Samuel Liddell MacGregor Mathers e William Robert Woodman (Assim como sua "irmã", a Rosae Rubeae et Aureae Crucis).
Mas, como nos disse Alan Willms: "Estes Formam a sequencia de Rituais mais conhecidos e amplamente praticados das tradições mágicas Ocidentais. No entanto, muitos dos esboços publicados — incluindo alguns dos mais populares — apresentam embelezamentos e alterações que não estão presentes nos documentos originais da Ordem Hermética da Aurora Dourada (OHAD), documentos que permanecem sem terem sido publicados em suas formas completas, inalteradas e não-editadas." -
Se efetuar uma busca na internet poderá encontrar uma diversidade de Rituais do pentagrama de modo que fica aleatório ao estudante e praticante entender realmente do que se trata o RmP, abrindo mão dos reais benefícios do Ritual mais usado no mundo moderno. Isso ocorreu após a dissolução parcial da Golden Dawn original nos primeiros anos do século XX, o Ritual do Pentagrama experimentou diversas adaptações e modificações através de seus principais herdeiros:
Aleister Crowley (1875-1947): Adaptou o ritual para o sistema Thelêmico, criando variantes como o "Ritual da Estrela de Rubi".
Dion Fortune (1890-1946): Incorporou elementos de psicologia junguiana.
Israel Regardie (1907-1985): Publicou os rituais em "The Golden Dawn" (1937-1940) e "The Middle Pillar" (1938), democratizando o acesso a estas práticas.
Sociedades Neo-Pagãs: Adaptaram o ritual para contextos wicanianos e neopagãos.
É importante notar que muitas destas adaptações, embora populares, distanciam-se significativamente da forma original documentada nos manuscritos da Aurora Dourada. O presente texto busca apresentar a versão mais próxima possível dos documentos primários, principalmente os manuscritos de George Pollexfen, membro original da Ordem. Hoje podemos encontrar informações que ate pouco tempo atrás era restrita e hermética sendo fragmentada e exposta na internet sem o menor preparo ou explicação previa e por isso tantas pessoas tem uma visão errada a respeito do notório saber. Com o Ritual Menor do Pentagrama trabalhamos no interior do nosso EU, sendo assim ele tem como objetico maior equilibrar o microcosmo; o fortalecimento do Corpo de Luz; o estabelecimento do Círculo Mágico; a proteção e expansão da aura, bem como a limpeza de influências indesejadas. Trata‐se de uma das melhores defesas contra ataques psíquicos e astrais também. Deste modo toda estrutura ritualística pode atuar simultaneamente em vários níveis e para muitos propositos, entre eles:
1. Purificação e Proteção
Microcósmica: Equilibra as energias elementais no praticante
Ambiental: Purifica o espaço ritual
Astral: Estabelece proteção contra influências indesejadas
2. Preparação Mágica
Estabelecimento do Círculo Mágico: Cria um espaço-tempo consagrado
Alinhamento de Consciência: Coloca o operador no estado mental apropriado
Ativação do Corpo de Luz: Desperta e fortalece o veículo sutil do praticante
3. Desenvolvimento Espiritual
Unificação das Faculdades: Integra pensamento, sentimento, intuição e sensação
Equilíbrio Elemental: Harmoniza as qualidades elementais no praticante
Conexão Divina: Estabelece conexão com aspectos divinos através dos nomes de poder
4. Aplicações Práticas
Abertura e Encerramento de trabalhos mágicos e místicos
Meditação: Como objeto de contemplação e foco
Exorcismo Menor: Para purificação de espaços e pessoas
Treinamento em Visualização: Desenvolve capacidades imaginativas
Preparação para Trabalhos Astrais: Protege o corpo durante projeções conscientes
Como Crowley indicou na epígrafe, o ritual transcende suas funções aparentes, funcionando como uma chave alquímica ("a Medicina dos Metais") e gnóstica ("a Pedra dos Sábios") quando compreendido em sua totalidade.
Podemos fragmentar o RmP em sua forma mais simples em três partes: - A Cruz Cabalística - Os Pentagramas - As quatro direções

Antes de abordar cada um desses estágios do ritual, vamos verificar o método original da Ordem Hermética da Aurora Dourado:
Ritual menor do Pentagrama: Volte-se para o Leste. Segundo o documento original da Ordem Hermética da Aurora Dourada de George Pollexfen, se a pessoa não tiver um instrumento, como um athame, em mãos, poderá usar o dedo indicador de sua mão dominante: Aponte seu dedo indicador para cima e deixe a mão dominante livre para as seguintes ações:
Tocando a testa com o dedo indicador direito, diga: ATEH (“A Ti”, foneticamente: “Ah-Táh”).
Tocando o centro do seu peito, diga: MALKUTH (“O Reino”, foneticamente: “Mal-Kut”).
Tocando seu ombro direito, diga: VE-GEBURAH (“E o Poder”, foneticamente: “Ve-Gue-Bu-Rá”).
Tocando seu ombro esquerdo, diga: VE-GEDULAH (“E a Glória”, foneticamente: “Ve-Gue-Du-Lá”).
Junte as mãos sobre o peito, unindo as duas palmas das mãos, cruzando os dedos para formar cinco cruzes com elas (segundo consta no documento original da OHAD de George Pollexfen), segurando sua adaga pelo cabo entre as palmas, com a ponta para cima (se você estiver usando algum) Em seguida, diga: LE-OLAHM (“Às Eras”, foneticamente: “Lê-O-Lam”). AMEN.
(Os passos de 1 a 6 são conhecidos como A Cruz Cabalística.) Essas cinco palavras da Cruz Cabalística formam uma frase que poderia ser traduzida aproximadamente como "A Ti pertence o Reino, o Poder e a Glória pelos séculos, Amém". Esta é uma adaptação da doxologia cristã derivada da Oração Dominical (Pai Nosso), mas reimaginada no contexto da Qabalah Hermética. Cada palavra corresponde a uma Sephirah específica na Árvore da Vida:
ATEH (Testa) = Kether (A Coroa)
MALKUTH (Peito/Plexo) = Malkuth (O Reino)
VE-GEBURAH (Ombro Direito) = Geburah (Severidade/Poder)
VE-GEDULAH (Ombro Esquerdo) = Chesed (Misericórdia/Glória)
LE-OLAHM (Centro) = Tiphareth (Beleza/Harmonia)
7. Volte-se para o Leste ou vá até a extremidade leste do seu local de trabalho, se possivel, e trace um Pentagrama no ar diante de você, usando sua adaga (ou seu dedo indicador da mão dominante). Em seguida Aponte sua adaga (ou seu indicador) em direção ao centro do Pentagrama e entoe: YOD HEH VAV HEH (foneticamente: “Yod He Vav He”.) Os documentos originais da OHAD de George Pollexfen indicam que se deve pronunciar cada letra separadamente, desta maneira.
O documento também diz que “o pentagrama deve ter um tamanho razoável, digamos a altura de um homem ou mais”.
8. Volte-se para o Sul, mantendo o braço estendido para visualizar uma linha do centro do primeiro Pentagrama até o ponto onde você desenhará o segundo Pentagrama.
Agora de frente para o Sul, trace outro pentagrama, em seguida aponte em direção ao centro dele e entoe: ADONAI (foneticamente: “A-Do-Nai” = אדני "Meu Senhor").
9. Volte-se para o Oeste, mantendo o braço estendido como antes. No Oeste, trace o Pentagrama, e Entoe: EHEIEH (O documento da OHAD original de George Pollexfen fornece a pronúncia como: “Ê-Yê” = אהיה - "Eu Sou").
10. Volte-se para o Norte, e repita da mesma forma, agora traçando um quarto Pentagrama. e entone: AGLA (foneticamente: “A-Gla”. AGLA é um “notariqon” ("Atah Gibor Le-olahm Adonai" - "Tu és poderoso para sempre, Senhor") porem os documentos originais da OHAD de George Pollexfen indicam que simplesmente “Agla” deve ser pronunciado).
11. Volte-se para o Leste, traçando a linha como antes, até atingir o ponto central do primeiro Pentagrama e assim complete o círculo.
Em relação à entonação dos Nomes Divinos nas etapas 7 a 10, os documentos originais da Golden Down (OHAD) de George Pollexfen instruem a pessoa a
“Respirar fundo e pronunciar lentamente o nome”, “Pronunciando-o para fora na respiração e vibrando-o o máximo possível”, e em outro lugar ele diz: “Vibre-os o máximo possível para dentro com a respiração expirada, não necessariamente em voz alta, mas com vibração”.
12. (Voltando ao centro do círculo já completo, de frente para o Leste, estenda os braços completamente de ambos os lados, para que seu corpo e braços formem uma cruz (segurando sua adaga — se você estiver usando uma — com a ponta para cima na sua mão direita). Diga:
Diante de mim, Rafael (foneticamente: “Ra-Fi-El”)
Visualize o Arcanjo Rafael à sua frente, vestido em amarelo e púrpura, carregando um cajado ou espada, com asas em movimento constante, emanando o elemento Ar.
Atrás de mim, Gabriel (foneticamente: “Ga-Bri-El”) Visualize o Arcanjo Gabriel atrás de você, vestido em azul e laranja, carregando um cálice, com pés mergulhados em água, emanando o elemento Água.
À minha direita, Mikhael (foneticamente: “Mi-Ka-El”) Visualize o Arcanjo Miguel à sua direita, vestido em vermelho e verde, carregando uma lança ou bastão, envolto em chamas, emanando o elemento Fogo.
À minha esquerda Auriel (foneticamente: “U-Ri-El”) Visualize o Arcanjo Uriel à sua esquerda, vestido em cores terrosas (preto, verde oliva, marrom), carregando um pentáculo ou escudo, emanando o elemento Terra.
"Diante de mim flameja o Pentagrama, e atrás de mim brilha a Estrela de seis raios."
Alterações posteriores realizadas por Crowley e Israel Regardié registram este final da seguinte forma: "Pois ao meu redor flamejam os pentagramas e na coluna do meio brilha a estrela de seis raios"
Visualize os pentagramas nas quatro direções flamejando com mais intensidade, e uma estrela de seis pontas (hexagrama) de luz dourada brilhando acima e abaixo de você, conectados pela coluna de luz.
Segundo alguns autores, a "oração" acima originou-se de uma oração judaica tradicional dita antes de dormir, conforme documentado pelo rabino Samson Raphael Hirsch em Sidur Tefilot Yiśraʾel: "B'shem Adonai Elohei Israel, mimini Michael, umis'moli Gabriel, umilfanai Uriel, umai'achorai Raphael, v'al roshi sh'ckinat El." Tradução: Em Nome de Deus, o Deus de Yisrael : que Miguel esteja à minha direita, Gabriel à minha esquerda, Uriel à minha frente, Rafael atrás de mim, e acima de minha cabeça, a presença de Deus
Passo 13. Repita as etapas 1 a 6.
Esta segunda execução da Cruz Cabalística completa e encerra o ritual.
Durante a visualização, situado ao norte, sul, leste e oeste do círculo são estabelecidos os pentagramas de banimento do elemento terra, que são traçados com a arma apropriada (bastão, espada ou o próprio dedo indicador). À medida que esses pentagramas são formados em meio ao ar, todo esforço deve ser feito no sentido de transmitir vitalidade e realidade a eles de tal modo que fiquem quase palpáveis ao magista ou equilibrador. O pentagrama deve ter aproximadamente a altura de uma pessoa
Enquanto traça, visualize o pentagrama como uma chama azul-branca que permanece no ar.
Estabilização: Aponte para o centro do pentagrama com seu instrumento (ou dedo) e inspire profundamente. Ao exalar, vibre o nome divino:
A vibração deve ser feita lentamente, projetando o som para dentro do pentagrama
Visualize o pentagrama flamejando mais intensamente ao receber o nome divino
As formas de invocação e banimento dos rituais do pentagrama são idênticas, exceto pelos Pentagramas em si.

A Tradição da Golden Down e da Thelema ensinam que as palavras são vibradas em uma voz especial. A vibração vocal serve para elevar e direcionar a energia do corpo em pontos-chave do ritual, neste momento é de grande valor caso já tenha conhecimento prévio de como utilizar o Chackra Laríngeo.
Existem vários métodos de vibração de nomes divinos, às vezes envolvendo visualizações simultâneas, No geral deve haver pelo menos uma projeção alta, profunda e clara da voz, dita com atenção da seguinte forma: Inale profundamente, enchendo completamente os pulmões.
Visualize a energia acumulando-se em seu plexo solar.
Exale lentamente, pronunciando o nome em uma nota única e constante, fazendo com que todo o seu corpo vibre com o som.
Direcione a vibração para o centro do pentagrama correspondente.
Perceba a vibração continuando mesmo após o som físico ter cessado.
A vibração adequada produz uma sensação física distinta no corpo, como um formigamento ou zumbido sutil.
Yod-Heh-Vav-Heh é o nome Israelita de Deus, o Deus e Abraão. Na Torá (5 primeiros livros da biblia) Deus proibe o pronunciamento de seu nome, de modo que a poronuncia correta foi esquecida a muitos milenios atrás, no geral pronuncia-se Iod - Rê - Vav - Rê. Traduções posteriores trouxeram a forma Javéh ou Jeováh como opções de pronuncia.
Adonai é um termo com origem no hebreu que significa "meu Senhor". Este era o nome de Deus usado no antigo testamento em vez do nome divino de Javé (Yahweh), uma vez que este, por respeito, não se devia pronunciar.
Ee-he-ye é traduzido como Eu SOU. Foi o nome atribuido á Deus por Moises durante sua peregrinação pelo deserto, antes de libertar os judeus e guia-los a terra santa
AGLA é uma abreviatura usando as letras iniciais da frase " Atah Gibor le-Ohlahm Adonai ", e isso pode ser dito no lugar de AGLA. Significa: "Tu és poderoso para sempre Adonai".

Esses quatro nomes são chamados de "nomes tetragramáticos" por Mathers e compartilham uma estrutura quádrupla em comum. Eles representam a Unidade do nome como um todo, simbolizando o Espírito e os quatro aspectos da manifestação. Sua colocação nos quatro quadrantes recapitula o significado estrutural de todo o ritual.
No entando existem diversas visualizações que são utilizadas durante o RmP. Estas visualizações fazem parte das tradições orais associadas à vertentes ritualísticas e podem variar muito entre indivíduos e suas crenças. O seguinte resumo é apresentado como um conjunto relativamente padrão:
Ao fazer a Cruz Cabalística, visualize uma corrente de energia na forma de luz branca flamejante e radiante descendo pelo corpo, passando pelo peito para formar uma cruz. Visualize cada Pentagrama em luz branca ou uma cor apropriada para o elemento correspondente. Enquanto se move em sentido horário, desenhe um círculo em branco ao nível do coração.

Finalmente, imagine os Arcanjos sobre o círculo invocando seus nomes. Estas podem ser figuras angelicais tradicionais de estatura gigante, vestidas com suas cores elementares e armadas com suas armas correspondentes Os quatro Arcanjos correspondem aos quatro elementos e às quatro direções cardeais:
Rafael (Leste/Ar): Nome que significa "Deus Cura", associado à inteligência, comunicação e saúde
Gabriel (Oeste/Água): Nome que significa "Força de Deus", associado às emoções, intuição e subconsciente
Miguel (Sul/Fogo): Nome que significa "Quem é como Deus?", associado à força, vontade e transformação
Uriel (Norte/Terra): Nome que significa "Luz de Deus", associado à manifestação material, estabilidade e recursos
Na Golden Down é comum o Neofito realizar o sinal do entrante e em seguida o sinal do silencio, porém é um costume utilizado somente na GD de modo que versões alternativas descartam este sinal.
A Cruz Cabalística

Usamos a formulação da cruz cabalista de maneira microcósmica á Árvore da Vida. Em outras palavras, ao formar a Cruz, você se visualiza de costas para a Árvore da Vida microcosmica, e de frente para a Árvore da Vida Macrocósmica, de modo que as Sephiroth chamadas Geburah e Gedulah (Hesed) estão localizadas à sua esquerda e direita, respectivamente.
As palavras de poder são conjuradas ao fazer a Cruz Cabalística.
A frase em sua totalidade é: " Atah Malkuth, ve Geburah, ve Gedulah, le ohlahm Amen ". Isso significa: " A ti é o reino, o poder e a glória pelos séculos, Amém. ". Atah (para ti) é falado enquanto se toca a testa para representar Kether o topo da arvore da vida. Faz referencia ao ser espiritual mais elevado. Malkuth (o reino) é dito enquanto toca a parte inferior do corpo atribuída à Sephirah de mesmo nome, que representa a realidade material. Portanto, a realidade é o reino do ser espiritual mais elevado. A barra horizontal da cruz cabalística é desenhada ao recitar ve geburah, ve gedulah (o poder e a glória), indicando os Pilares da Severidade e da Misericórdia na arvore da vida. As mãos são então colocadas sobre o coração enquanto se diz "le ohlahm Amen" (até os séculos, Amém).
Segundo os Thelemitas uma visualização poderosa que pode ser feita durante a execução da Cruz Cabalística é ver a si mesmo crescendo em estatura. Deve-se imaginar a si mesmo se expandindo durante o ritual em proporções tremendas até os limites da imaginação. Este exercício de expansão da consciência parece ter ressonância arquetípica, e sua eficácia ultrapassa fronteiras.
Os Pentagramas Durante o RmP é traçado os pentagramas nas posições cardeais. Geralmente é utilizado o pentagrama da terra para o Ritual MENOR do pentagrama de banimento.
Seus cinco pontos devem coincidir com certas partes do corpo: os dois pontos mais baixos devem coincidir com as coxas esquerda e direita; os dois pontos superiores com os ombros esquerdo e direito; e o ponto mais alto com a testa, mas isso não é uma regra.
Na etapa em que são visualizados os pentagramas deve-se atentar á respiração:

Cada linha do pentagrama segue uma sequência de respiração que deve ser efetuadas enquanto se faz o traçado.
No RmP utiliza-se geralmente o elemento Terra porque tradicionalmente pode ser entendido que este elemento é a consolidação dos outros três elementos. No Sepher Yetzirah, por exemplo, a Terra é o resultado da combinação igual dos três elementos Ar, Fogo e Água. Portanto, o Pentagrama da Terra deve ser entendido dentro do contexto do RmP como um substituto para qualquer dos outros elementos.
As quatro direções
Estas são as quatro direções às quais os Pentagramas, nomes divinos e anjos são aplicados.

A atribuição geral é para os quatro elementos, aos quais o mago/venator esta no centro como o Espírito. Em cada quadrante um pentagrama é visualizado, um nome divino é vibrado como um mantra e os arcanjos são visualizados e invocados.
Segundo o projeto XAOZ:
Uma associação possível, apenas como exemplo, seria a seguinte:
- Leste com Fogo, devido ao nascer do Sol
- Oeste com Água, devido ao pôr do Sol
- Norte com Ar, devido à leveza deste elemento
- Sul com Terra, devido à densidade deste elemento Embora a atribuição padrão mencionada no documento original associe os elementos às direções de forma específica, existem variações importantes:
Sistema Golden Dawn Tradicional:
Leste: Ar (Amarelo)
Sul: Fogo (Vermelho)
Oeste: Água (Azul)
Norte: Terra (Verde/Negro)
Sistema Enochiano:
Leste: Ar
Sul: Terra
Oeste: Água
Norte: Fogo
Sistema Thelêmico (Crowley):
Leste: Ar/Fogo (varia conforme o contexto)
Sul: Fogo/Terra
Oeste: Água/Ar
Norte: Terra/Água
A escolha do sistema deve ser consistente com a tradição específica seguida pelo praticante.
Embora tenhamos apresentado a formula mais tradicional possivel do Rmp, toda a sua estrutura pode ser adaptada para diversos propósitos específicos. Entre eles:
Banimento Potencializado:
Execute o ritual normalmente, mas após o circuito de pentagramas, visualize uma expansão explosiva de luz partindo do centro e empurrando para longe todas as influências negativas.
Preparação para Trabalho Astral:
Execute o ritual com ênfase na visualização dos Arcanjos, pedindo especificamente sua proteção durante a jornada astral.
Visualize o corpo de luz formando-se dentro do círculo protetor.
Consagração de Espaço Permanente:
Execute o ritual diariamente no mesmo local por um período de 28 dias.
Ancore os pentagramas em objetos físicos colocados nas direções cardeais.
Visualize as energias se acumulando e estabilizando com cada ritual repetido.
Práticas Avançadas de Meditação:
Use o RMP como entrada para estados meditativos profundos.
Após completar o ritual, sente-se no centro e medite nos nomes divinos e nos Arcanjos.
Explore as qualidades elementais de cada direção através da visualização dirigida.
Para além da mecânica ritual, o RMP também opera em múltiplos níveis de consciência:
Nível Psicológico:
Integração das funções psíquicas (Pensamento-Ar, Sentimento-Água, Intuição-Fogo, Sensação-Terra)
Estabelecimento de "fronteiras psíquicas" saudáveis
Centralização da consciência
Nível Energético:
Limpeza e equilíbrio dos chakras
Fortalecimento do campo áurico
Harmonização das correntes elementais no corpo sutil
Nível Espiritual:
Conexão com os aspectos divinos representados pelos nomes de poder
Comunhão com as inteligências arquetípicas dos Arcanjos
Elevação da consciência para estados superiores
ERROS COMUNS:
Problemas de Visualização
Erro: Visualização fraca ou inconsistente. - Pratique exercícios de visualização separadamente. Comece com objetos simples e progrida para imagens mais complexas. Utilize todos os sentidos na visualização, não apenas a visão.
Problemas com os Pentagramas
Erro: Traçado incorreto dos pentagramas. - Pratique o traçado lentamente, garantindo que o pentagrama esteja corretamente orientado e proporcionado. O pentagrama de banimento da Terra começa no canto inferior esquerdo e termina no mesmo ponto.
Erro: Confusão entre pentagramas de invocação e banimento. - No Ritual Menor, usa-se exclusivamente o pentagrama de banimento da Terra (começando no ponto inferior esquerdo). Os pentagramas elementais específicos são usados apenas no Ritual Maior do Pentagrama.
Problemas com os Nomes Divinos
Erro: Pronunciação rápida ou incorreta dos nomes divinos. - Estude a pronúncia correta. Pratique a vibração lenta e ressonante. Concentre-se na qualidade energética de cada nome.
Problemas de Orientação
Erro: Orientação incorreta das direções cardeais. - Use uma bússola para determinar as direções precisas antes de iniciar. Na impossibilidade, use o sol ou estrelas como referência, ou estabeleça direções simbólicas.
Problemas de Integração
Erro: Execução mecânica, sem engajamento emocional/espiritual. - Aborde o ritual como uma comunicação sagrada, não como um exercício mecânico. Cultive a atitude de reverência e conexão com as forças invocadas. Informações adicionais:
Após o declínio da Ordem Hermética da Aurora Dourada, figuras como Aleister Crowley e George Cecil Jones reorganizaram os ensinamentos centrais, propondo um método espiritual abrangente e integrado. O periódico The Equinox foi o veículo que popularizou muitas práticas mágicas e iniciáticas oriundas dos antigos rituais da Ordem, embora as edições publicadas frequentemente passem por simplificações e embelezamentos que alteram a abordagem original dos textos.
Modificações do Ritual Menor do Pentagrama
Os ritos de pentagramas, essenciais para o banimento e a ativação do campo mágico, foram adaptados em diversas obras importantes de Crowley, como o Liber O e a obra Magick in Theory and Practice. Entre as principais mudanças destaca-se:
Alterações Gestuais e Verbais:
Eliminação da menção ao gesto de traçar as "cinco cruzes" com os dedos ao concluir a Cruz Cabalística.
Mudança na pronúncia do nome divino, modificando “Yod He Vav He” para “Ye-ho-vau”.
Revisão de fórmulas, onde a descrição da disposição do Pentagrama e da Estrela de seis raios passou de um posicionamento “diante” e “atrás” para uma configuração onde o símbolo se estende ao redor do praticante e se organiza em torno de uma coluna central, ressaltando o equilíbrio intrínseco entre as energias.
Interpretação de Crowley: Em suas notas sobre o ritual, Crowley explica que essa reorganização simbólica visa criar uma coluna protetora por meio da invocação microcósmica, a qual se desdobra para manifestar um hexagrama acima e abaixo do praticante. Essa disposição busca desconectar o mago das influências caóticas do exterior e garantir um campo de energia fechado e seguro, formando uma “caixa consagrada” que engloba o ser.
A Prática do Ritual de Banimento:
Crowley enfatizava o papel primário do ritual de banimento para preparar o campo mágico. Segundo seus ensinamentos:
Frequência e Objetivo: O ritual deveria ser executado diariamente – até três vezes – para purificar o ambiente e estabelecer um círculo inviolável, servindo tanto para afastar energias perturbadoras quanto para invocar a proteção dos Arcanjos.
Procedimento e Posturas: As instruções práticas detalham um movimento preciso com o braço direito, utilizando o dedo indicador para traçar o pentagrama no ar, a partir de pontos específicos do corpo que correspondem aos quadrantes cardeais. Esse movimento, mantido com rigor e precisão, projeta o símbolo sagrado que atua como um selo energético.
Instruções Específicas e Elementos de Visualização:
Documentos posteriores – como um texto datilografado de 1947 – acrescentam novas camadas ao ritual:
Uso de Instrumentos Cerimoniais: A inclusão de uma adaga de aço (provavelmente com a ponta não cortante) durante a execução da Cruz Cabalística intensifica a conexão com os símbolos. Ao toque de pontos chave do corpo, palavras específicas são pronunciadas: da testa à adição de “Ateh” e “Aiwass”, culminando na evocação de “Malkuth”. Essa substituição ritualística se estende à finalização, quando “AMEN” é substituído por “AUMGN”.
Visualizações e Sensações Físicas: O praticante é instruído a imaginar cada ponto tocado como uma esfera de luz vibrante e uma corrente luminosa que forma uma cruz no corpo. Também é detalhado o uso de técnicas de vibração dos nomes divinos – onde as letras hebraicas, inspiradas na respiração, geram sensações físicas (como formigamento e sudorese) que confirmam o êxito do processo. A visualização ideal recomenda imaginar os pentagramas em uma luz dourada e intensa, estabelecendo uma conexão que transcende o plano físico.
Influências Posteriores e Adaptações Contemporâneas:
A formação dos rituais não parou nas adaptações iniciais de Crowley. Posteriormente, outros autores e praticantes contribuíram com variações que acabaram por se tornar padrões em determinados círculos místicos:
As Intervenções de Israel Regardie: Regardie, ao compilar e editar os textos da Aurora Dourada, removeu trechos e diagramas originais – em alguns casos, introduzindo seus próprios acréscimos. Entre suas inovações estão a ampliação da visualização do praticante, a ênfase na emanacão de luz a partir do topo da cabeça e a alteração das cores dos pentagramas, geralmente oferecendo uma coloração azul ou branca-azulada. Ele também sugeriu uma entonação prolongada das palavras hebraicas, prática que difere dos textos originais – que reservavam esse cuidado apenas para os quatro nomes divinos.
Contribuições de Discípulos e Adaptações na Wicca: Influenciados por Regardie, magos como James Eshelman e David Shoemaker propuseram a substituição do acrônimo “Agla” pela frase completa (Ateh Gibor Le-olam Adonai), embora os documentos fundadores indiquem o uso simples do termo. Da mesma forma, algumas tradições wiccanas – notadamente as de Janet e Stewart Farrar – sugerem acrescentar uma sexta linha ao pentagrama para “sealing” (selar) o símbolo, prática ausente nos escritos originais da Ordem Hermética.
O Ritual Supremo do Pentagrama
Em contrapartida ao caráter regular e cotidiano do Ritual Menor, existe o Ritual Supremo do Pentagrama, que se destina a trabalhos com forças elementares específicas:
Estrutura e Execução: – Nele, cada quadrante recebe dois pentagramas, e a execução inclui gestos adicionais e signos específicos dirigidos ao elemento que se deseja trabalhar. – Inicialmente, traça-se o Pentagrama do Espírito adequado – o "ativo" para Ar e Fogo ou o "passivo" para Terra e Água –, seguido pelo desenho de um símbolo circular com oito raios e a entonação do nome divino correspondente. – Após isso, são realizados os Sinais do Portal (abertura e fechamento do véu) antes de executar o pentagrama próprio ao elemento, que integra também o símbolo astrológico do signo vinculado àquele elemento e o sinal do grau atribuído (por exemplo, “Shu suportando o Céu” para o Ar).
Aspectos Visuais e Cores: Os documentos originais fornecem uma paleta específica para cada elemento:
Terra: tons marrom-avermelhados (ou, em outras versões, preto)
Ar: amarelo
Água: azul
Fogo: escarlate
Espírito: branco Tudo isso sobre um fundo predominantemente preto, garantindo um contraste simbólico que reforça a intensidade energética do ritual.
Aplicações Adicionais: O ritual supremo também pode ser adaptado para trabalhar com forças associadas a signos astrológicos específicos, modificando os símbolos centrais e, se necessário, circunscrevendo o pentagrama com um círculo para limitar os efeitos energéticos a um espaço ou objeto determinado. Além disso, há procedimentos para interagir com energias maléficas por meio do pentagrama invertido – embora essas instruções tenham sido propositalmente omitidas por Regardie em suas publicações posteriores.
O Ritual Menor do Pentagrama, apesar de sua aparente simplicidade, contém em si toda a essência da tradição mágica ocidental. Sua prática regular não apenas protege e purifica, mas gradualmente transforma a consciência do praticante, estabelecendo uma ponte entre o mundano e o divino.
Como observou Aleister Crowley, quando compreendido em sua totalidade, este ritual torna-se "a Medicina dos Metais e a Pedra dos Sábios" - uma chave para a transmutação interior e o conhecimento direto das realidades superiores.
A prática diária é fortemente recomendada, idealmente ao amanhecer e ao anoitecer, criando um ritmo ritual que harmoniza o praticante com os ciclos cósmicos. Com o tempo e a prática constante, o ritual internaliza-se, podendo eventualmente ser realizado por completo no plano mental, sem a necessidade de movimentos físicos.
Lembre-se sempre que, como todas as práticas mágicas autênticas, o RMP não é um fim em si mesmo, mas uma ferramenta para o despertar da consciência e a realização da Boa Obra.
"O círculo está traçado. A luz primordial e verdadeira está invocada. O templo está purificado. Que assim seja."
Bibliografia Recomendada
Israel Regardie – A Aurora Dourada: O Relato Original dos Ensinamentos, Ritos e Cerimônias da Ordem Hermética (Llewellyn, 1989).
Chic & Sandra Tabatha Cicero – Auto-Iniciação na Tradição da Golden Dawn (Llewellyn, 1995).
Donald Michael Kraig – Magia Moderna: Doze Lições nas Artes da Alta Magia (Llewellyn, 2010).
Aleister Crowley – Liber O vel Manus et Sagittae, em Magia: Liber ABA, Livro Quatro (Weiser, 1997).
Dion Fortune – A Cabala Mística (Weiser, 2000).
Pat Zalewski – Rituais e Comentários da Golden Dawn (Edição Privada, 2016).
Gareth Knight – Guia Prático para o Simbolismo Cabalístico (Weiser, 2001).
S.L. MacGregor Mathers – A Cabala Desvelada (Weiser, 1989).
Francis King – Magia Ritual Moderna: A Ascensão do Ocultismo Ocidental (Prism Press, 1989).
R.A. Gilbert – A Golden Dawn: O Crepúsculo dos Magos (Aquarian Press, 1983).
Este texto é oferecido pela Oslum como um guia prático e teórico para o estudo do Ritual Menor do Pentagrama, baseado nas fontes originais da tradição da Aurora Dourada e em práticas mágicas comprovadas. Que ele sirva de grande valía.


