top of page

Anatomia Oculta Parte 1: Corpo Astral

Atualizado: 22 de ago.

"Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis..." — Colossenses 1:16 Houve um caso, há alguns anos, em que passei mais tempo tentando descobrir de onde o problema poderia ter surgido do que decidindo o que fazer a respeito. A manifestação em si era simples de constatar, a vítima não estava inventando, e eu soube disso rápido. O difícil foi o resto: o problema em si era diferente de qualquer coisa que eu já tinha catalogado como "puramente astral", mas também não batia com o padrão de uma entidade etérea de verdade. Foi a primeira vez que entendi, na prática, por que tanta tradição diferente insiste em desenhar mapas do outro lado do véu. Não é curiosidade. Mas quando você está envolvido até o pescoço com casos desse tipo, entender como o mundo espiritual funciona muda completamente o jogo.

No texto anterior, abordei de forma sistemática a existência de uma fronteira, ou Véu, que estabelece limites entre o mundo material e o mundo imaterial. Essa barreira pode influenciar diretamente a percepção e o contato com tudo aquilo que a humanidade considera extra físico. Tal barreira é alimentada pela própria fé materialista de cada indivíduo ao tentar explicar e categorizar de forma tangível tudo aquilo que é de natureza intangível. Neste artigo, tentarei abordar a primeira camada do corpo espiritual que age além do véu. Não somente os corpos espirituais mas a própria percepção do corpo quando podemos obter um afinamento do véu e uma ideia mais aprofundada daquilo que consideramos “Paranormal”. Duplo Etérico – A primeira camada que transpassa o véu: As tradições esotéricas mais modernas, em particular a Teosofia fundada por Helena Blavatsky, elaboraram um conceito chamado corpo etérico, ou duplo etérico. Uma contraparte energética do nosso corpo físico, servindo de intermediário entre o corpo mundano e os corpos mais sutis e “elevados”.

Charles Leadbeater, descreveu esse corpo intermediário como veículo do prana (força vital) intimamente conectado ao sistema nervoso físico, uma espécie de ponte entre o corpo e os planos superiores.

O espiritismo kardecista chama esse mesmo corpo de perispírito. Allan Kardec foi quem cunhou o termo, em O Livro dos Espíritos: um envoltório semimaterial que liga o espírito ao mundo material durante a vida, e que, segundo a doutrina kardecista, não se desfaz com a morte física e continua existindo, servindo de ponte entre o mundo espiritual e o mundo dos vivos. É o perispírito, na explicação kardecista, que possibilita fenômenos como aparições e a chamada materialização mediúnica. A doutrina ensina ainda que o perispírito se refina ou se torna mais denso conforme o progresso moral do espírito, um espírito atormentado carregaria um perispírito mais grosseiro e um espírito evoluído, um perispírito quase luminoso.

A tradição hindu, adotada depois pelo ocultismo ocidental mais amplo, prefere se referir á mesma coisa pelo nome de “aura”, o campo energético visível ao redor do corpo, associado a cores, saúde física e estado emocional. Leadbeater, chegou a publicar diagramas coloridos detalhados dessa aura em Man Visible and Invisible de1902, tentando catalogar visualmente o que sensitivos alegavam enxergar. É nesse corpo intermediário onde fica o verdadeiro palco de qualquer fenômeno espiritual.

Diferente do que muitos pensam a tradição cristã também concorda com a existência do corpo espiritual, como dito em 1 Coríntios 15:44: "há corpo animal, e há também corpo espiritual"

O Corpo Astral: Após esse campo energético ou “Aura”, o próximo “Corpo” nessa cadeia é o Corpo Astral. Talvez esse seja um dos conceitos mais conhecidos do ocultismo moderno e, ao mesmo tempo, um dos mais mal compreendidos. Basta pesquisar rapidamente na internet para encontrar centenas de relatos de "viagens astrais", técnicas para sair do corpo em poucos minutos e promessas de explorar outros mundos como quem faz turismo. O problema é que quase nada disso corresponde à forma como as grandes tradições ensinam esse assunto ao longo da história.

Diferente de tudo que se vê por aí, corpo astral não é nosso espírito. O corpo astral é a camada que interage com um plano especifico, mas não é o único corpo que possuímos. É, na verdade, um dos veículos através dos quais a consciência se manifesta.

Uma comparação simples que ajuda a entender isso é: Quando dirigimos um carro, ninguém diz que nós somos o carro. O veículo apenas nos permite se mover por determinado ambiente. Se trocamos de carro, continuamos sendo a mesma pessoa. Da mesma forma, muitas escolas esotéricas entendem que o ser humano utiliza diferentes "veículos" para se expressar em diferentes planos.

O corpo físico é o veículo através do qual experimentamos o mundo físico. Já o corpo astral seria o veículo pelo qual a consciência percebe, sente e interage com aquilo que chamamos de plano astral.

Isso não significa que o corpo astral seja a essência espiritual do ser humano. Para autores como Franz Bardon, por exemplo, é apenas um dos corpos que compõem a natureza humana. É nele que se refletem nossos desejos, emoções, virtudes, vícios e tendências psicológicas. O espírito continua sendo algo mais profundo e utiliza esse corpo da mesma forma que utiliza o corpo físico durante a vida.

Outras tradições esotéricas vão ainda mais além, o corpo astral é entendido como o lugar onde a personalidade começa a tomar forma. Não a personalidade social, que é construída pelo convívio com as pessoas e pela cultura, mas aquela camada mais profunda onde se manifestam nossos impulsos, inclinações, medos, desejos, afetos e tendências.

É por isso que algumas tradições passaram a chamar o corpo astral de corpo dos desejos. Justamente porque ele seria o primeiro veículo através do qual a consciência experimenta atração e repulsa, prazer e sofrimento, simpatia e aversão.

Franz Bardon talvez seja um dos que mais enfatiza esse aspecto. Em Iniciação ao Hermetismo, o corpo astral está intimamente ligado ao exercício que ele chama de "Espelho da Alma". Segundo Bardon, antes que alguém pense em desenvolver qualquer faculdade espiritual, deveria conhecer profundamente sua própria constituição astral. Isso significa identificar, com honestidade, quais qualidades predominam em sua natureza: orgulho, medo, disciplina, inveja, coragem, vaidade, perseverança, compaixão, ira ou qualquer outra característica que componha seu caráter e está enraizado no corpo astral.

Para Bardon, essas características não são apenas estados psicológicos passageiros. Elas fazem parte da estrutura do próprio astral. É por isso que o aperfeiçoamento espiritual não consiste apenas em adquirir conhecimento, mas em transformar esse veículo interior. Um indivíduo pode aprender dezenas de técnicas, memorizar símbolos complexos e dominar rituais sofisticados, mas continuará limitado se seu corpo astral permanecer desequilibrado.

Essa ideia também aparece, ainda que sob outras palavras, em diversas tradições religiosas. O cristianismo, por exemplo, não fala em corpo astral, mas descreve repetidamente uma luta interior entre aquilo que conduz o homem para Deus e aquilo que o afasta d'Ele. Paulo fala do "homem interior", das paixões, da transformação da mente e da necessidade de abandonar a velha natureza. Embora a interpretação cristã seja completamente diferente da antropologia hermética, ambas compartilham a percepção de que existe uma dimensão interior no ser humano que precisa ser trabalhada, disciplinada e transformada e essa percepção está além da carne.

Outra característica frequentemente atribuída ao corpo astral é sua plasticidade. Diferente do corpo físico, que possui uma estrutura relativamente estável, o corpo astral seria extremamente sensível às experiências vividas pelo indivíduo. Emoções repetidas, hábitos cultivados durante anos, vícios, traumas, virtudes e escolhas constantes deixam marcas nesse veículo sutil. Em muitas escolas esotéricas, isso explica por que duas pessoas podem possuir capacidades semelhantes e mesmo assim, utilizar todas elas de modo completamente diferentes. Não seria apenas uma questão de comportamento externo, mas da própria condição de seu corpo astral.

É justamente por essa razão que nossa escola insiste tanto na disciplina moral antes de qualquer prática espiritual mais avançada. O objetivo é modificar gradualmente a própria constituição desse corpo astral. Assim, o iniciado não transforma apenas suas atitudes; transforma também o veículo através do qual sua consciência se manifesta nos planos mais sutis.

Essa talvez seja uma das características mais importantes do corpo astral: ele não é uma estrutura estática. Assim como nossos músculos se fortalecem ou enfraquecem conforme o uso, o corpo astral também é continuamente moldado pela maneira como pensamos, sentimos e vivemos. Em outras palavras, ele não apenas revela quem somos; ele também registra, pouco a pouco, quem estamos nos tornando e se molda com tudo que vivenciamos.

A constituição do corpo astral: Na tradição hermética, especialmente dentro da obra de Franz Bardon, o corpo astral é descrito como um veículo formado primordialmente (além dos desejos e emoções), pela interação dos quatro elementos fundamentais: fogo, água, ar e terra. Obviamente, que não se trata dos elementos físicos encontrados na natureza, mas de princípios energéticos que representam diferentes formas de manifestação da consciência.

O elemento fogo está relacionado à força de vontade, impulso, movimento, transformação e poder de ação. O elemento água representa a sensibilidade, emoções, receptividade, adaptação e capacidade de absorver experiências. O elemento ar está ligado ao pensamento emocional, comunicação, movimento e equilíbrio. O elemento terra representa estabilidade, resistência, estrutura e capacidade de manifestação. O corpo astral seria, portanto, uma combinação dinâmica desses princípios. Cada pessoa possui uma proporção diferente dessas forças, e essa combinação influencia diretamente sua personalidade, seus comportamentos e sua maneira de reagir diante da existência. Uma pessoa com predominância do fogo pode apresentar grande iniciativa, coragem e capacidade de liderança, mas também pode carregar tendências como impulsividade, irritação e dificuldade de controle. Uma pessoa com predominância da água possui profunda empatia, sensibilidade e percepção emocional, mas também pode se tornar muito vulnerável às próprias emoções.

A forma do corpo astral: Outra característica do corpo astral é a sua capacidade de assumir uma forma semelhante ao corpo físico. Claro que, essa semelhança não deve ser interpretada como uma cópia invisível exata da pessoa. O corpo astral não teria ossos, músculos ou órgãos no mesmo sentido físico. Sua estrutura é organizada através de centros de força, fluxos energéticos e padrões vibratórios. Algumas escolas chamam esses “órgãos e veias” do corpo astral de centros energéticos, nádis, meridianos, chakras, rodas de energia, pontos de concentração da consciência, em fim.. apesar dos diferentes nomes, a ideia central é a mesma: existem regiões dentro desse corpo astral responsáveis por determinadas funções, assim como órgãos e nervos no corpo físico. O coração, por exemplo, possui uma função específica no corpo físico e o cérebro possui outra, da mesma forma determinados centros energéticos do corpo astral são responsáveis pela assimilação, distribuição e condução de diferentes tipos de energia.

Ou seja, corpo físico é em si uma máquina biológica altamente organizada. O corpo astral é uma estrutura energética igualmente organizada, porém pertencente a uma camada diferente de outra realidade.

Essa é uma das razões pelas quais muitos ocultistas afirmam que alterações profundas no campo emocional podem refletir posteriormente no corpo físico. Pois o corpo astral funciona como uma ponte entre a consciência e a matéria, transmitindo para níveis inferiores aquilo que acontece em níveis superiores.

Deslocamento Astral: Em nossa escola, aprendemos que uma das diferenças mais marcantes entre o corpo físico e o corpo astral é justamente na forma como cada um se movimenta. O corpo físico está submetido às leis da matéria: precisa de espaço, deslocamento, tempo e energia para se mover. O corpo astral, por outro lado, obedece à intenção, afinidade e direcionamento da consciência. É por isso que relatos antigos descrevem o pensamento como uma força extremamente importante no corpo astral. Aquilo que no mundo físico exige esforço e deslocamento, no astral pode acontecer através da simples direção da vontade. Essa característica explica uma das frases mais repetidas nas escolas iniciáticas: "a consciência governa o espirito".

O corpo astral não é independente da mente e da vontade. Pelo contrário, ele responde diretamente aos comandos mais profundos da consciência. Por esse motivo, um indivíduo que não consegue controlar seus próprios pensamentos e emoções terá dificuldade em dominar plenamente o corpo astral, eu mesmo passei por grande batalha interna para obter controle sobre pensamentos e emoções e sei, com propriedade, como nossa vida é dirigida por isso. Aprendi na pratica que aquele que é levado constantemente por impulsos, medos e desejos contraditórios vai ter um corpo astral igualmente instável, reagindo mais à qualquer estimulo externo (como ataques astrais, por exemplo) do que à própria vontade consciente.

O corpo astral durante a vida física: Embora muitas pessoas associem o corpo astral apenas a experiências fora do corpo ou estados alterados de consciência, as tradições antigas afirmam que ele está ativo durante toda a existência humana.

Cada emoção intensa, cada desejo cultivado, cada experiência marcante e cada escolha moral produzem alterações nesse corpo. Uma pessoa que vive constantemente em medo, por exemplo, não teria apenas pensamentos de medo; ela estaria moldando sua própria estrutura astral ao redor desse padrão. Da mesma forma, alguém que cultiva virtudes como amor, alegria, paz, bondade, mansidão está fortalecendo essas características em sua própria constituição espiritual/astral. Por isso ensinamos que o corpo astral é uma espécie de registro vivo da trajetória de cada um de nós. Não só um registro, mas uma impressão gravada na própria substância que compõe o corpo astral. É justamente por isso que nossa escola insiste tanto na importância do autoconhecimento. Conhecer a si mesmo é observar a própria estrutura invisível e entender como influenciar ela de forma saudável.

“O homem carrega dentro de si um universo que ele mesmo está constantemente construindo.”

E antes que qualquer pessoa deseje entender os mistérios que existentes além do mundo físico, ela precisa primeiro compreender o mistério que existe dentro de si mesma.Talvez seja justamente essa parte a mais importante do estudo dos corpos sutis. Eles nos lembram que o ser humano não é composto apenas daquilo que pode ser visto, pesado ou medido. Existe uma anatomia invisível acompanhando cada pensamento, cada emoção e cada escolha que fazemos.

Independentemente da tradição, Seja aqui na Nexo, no Hermetismo, Teosofia, Espiritismo ou Cristianismo, todas apontam para uma mesma ideia: aquilo que acontece no interior do homem, mais cedo ou mais tarde, se manifestará no exterior.

Acredite, meu caro amigo leitor, quando digo que seu corpo astral é, além de tudo, um espelho silencioso daquilo que você está, aos poucos, se tornando

"O reino de Deus está dentro de vós." - Lucas 17:21

Nexusorientis.com

Cadastre seu e-mail para receber artigos exclusivos

bottom of page