Elementais da natureza e sua civilização
Atualizado: 6 de ago.

Faz de seus anjos vento, e de seus servos fogo flamejante. (Salmo 104:4)
Teve um caso, há alguns anos atrás, que nunca saiu da minha cabeça. Um rapaz, do tipo de curioso decidiu que ia "fazer amizade" com um espírito da água. Não usou nenhum grimório sombrio, nada de pactos ou evocações complexas, lembro muito bem de que ele não era muito adepto á elas. Usou um ritual simples tirado de um livro que é bem popular: Usava uma taça de cristal em uma lagoa perto de casa e ali fazia a cerimonia. A sua intenção era genuína e sincera, queria aprender alguma coisa com o que ele achava ser uma ninfa das águas.
Algumas semanas depois, ele estava convencido de que a mulher mais linda que ele já tinha visto na vida conversava com ele através da intuição . Alguns meses depois começou a relatar que a mesma mulher o visitava todas as noites nos seus sonhos, prometendo revelar segredos que nenhum professor seria capaz de ensinar. Mais alguns meses e dizia ser possivel, em determinados momentos, escutar o sussurro morno dos labios dessa estranha mulher em seus ouvidos. Com o passar de um ano ele estava certo de que ela o visitava diariamente. Levou mais um ano até alguém notar que ele tinha parado de comer, de dormir direito, de ser ele mesmo.
Isso não é conto de fada, é a dura realidade que se enfrenta ao estabelecer contato com espiritos. Elementais são o que a tradição documenta há séculos, com nome, hierarquia e comportamento catalogados por gente que levou o assunto a sério. E é exatamente por isso que este texto existe: pra que você , caro leitor, entenda o que essas entidades realmente são, sem nunca precisar aprender isso do jeito que, infelizmente, aquele rapaz aprendeu.
Os Elementais da Natureza representam um dos fundamentos mais incompreendidos da tradição ocidental. Habitantes de um plano intermediário entre o físico e o astral, estas inteligências não humanas são consideradas agentes primordiais das forças elementais manifestas em nosso plano. Compreendê-los direito é uma das pedras angulares de todo o saber espiritual, e uma das que mais gente aprende errado.
Este texto examina estas categorias de existência, partindo das concepções estabelecidas por Paracelso, cujos escritos foram depois sistematizados por Franz Hartmann na Alemanha do século XIX, e complementados pelos sistemas operativos de Franz Bardon no século XX, notavelmente em sua obra "A Prática da Evocação Mágica".
Não trago aqui apenas uma compilação dessas fontes, mas uma leitura interpretativa, para quem realmente leva esse assunto a sério.
Já de início, preciso deixar uma coisa clara: este artigo não pretende, em nenhum momento, servir de instrução para evocações ou práticas desacompanhadas. Por questão de segurança ontológica e integridade operacional, eu desaconselho veementemente qualquer tentativa de contato com estas entidades. O que você vai ler aqui é pra compreensão, não pra prática.
Os Elementais da Natureza são seres cuja substância primordial difere completamente da constituição humana. Enquanto a vida orgânica no plano físico é baseada predominantemente no carbono, cada categoria de elemental é constituída essencialmente pelo elemento do qual ele mesmo representa.
Uma Salamandra, elemental do Fogo, tem o próprio fogo como sua matriz constitutiva fundamental, da mesma forma que um humano existe naturalmente dentro da atmosfera terrestre.
"O Elemento está para o Elemental como a atmosfera está para o Homem e a água para os peixes, e nenhum deles sobrevive em elemento pertencente à outra classe. Para o Ser Elemental, o Elemento no qual vive é transparente, invisível e respirável, como a atmosfera para nós humanos." — Philosophia Occulta, Franz Hartmann
A ideia de seres especializados associados a diferentes aspectos da criação não é, em si, falsa. O erro crítico do ocultismo, e principalmente do praticantes cujo objetivo é de equilibrar o nosso plano físico como o que temos na Nexo, está em separar esses seres de sua verdadeira natureza e propósito espiritual, apresentando-os como forças neutras ou ambíguas que podem ser manipuladas através de técnicas mágicas apropriadas. Isso, tenho que dizer com todas as letras, é um erro.
A verdade é que estas entidades não existem numa espécie de vácuo moral ou limbo espiritual. São participantes ativos da batalha entre luz e trevas que a maioria de nós trava, com uma frequência maior do que gostaria. São seres criados, não forças primordiais independentes, e assim como os anjos, estão sujeitos à autoridade do Criador e ao plano divino para toda a criação, embora dotados de liberdade de escolha.
Estes elementais vivem numa subdivisão do nosso plano, numa escala entre a nossa existência e os habitantes do astral, situados numa esfera entre esses dois planos. Nosso plano físico, pra um elemental, é como um "campo neutro", onde ele também consegue se locomover, já que em nosso plano material podemos obter naturalmente o fogo, a água, o ar e a terra, e isso torna possível ao elemental usar aspectos destes elementos manifestados aqui pra agir também aqui. Reza a lenda que os elementais usam esse campo neutro no nosso plano pra travar terríveis batalhas entre si.
"Os antigos acreditavam que, por exemplo, quando um raio atingia uma montanha, era um sinal de que elementais do ar atacavam elementais da terra." — Occultura

Conforme sistematizado por Paracelso, os elementais, além do próprio elemento primordial que os caracteriza, possuem em sua composição uma substância quintessencial chamada Éter, um princípio sutil que faz a interface entre o plano material denso e o plano sutil. É parecido com a alma humana, mas sem a centelha divina que nos faz imagem do próprio Criador.
Diferente de certas entidades puramente espirituais, os elementais não são considerados imortais. Sua expectativa de vida varia bastante conforme o elemento regente, mas geralmente fica entre 300 e 1.000 anos. Os Elementais da Terra têm a menor longevidade; os do Ar são os que vivem mais tempo entre os quatro. Essa característica temporal é crucial pra entender a relação desses seres com a esfera humana.
Os elementais se organizam em estruturas sociais complexas, bem parecida em certos aspectos às civilizações humanas. Têm hierarquias próprias, sistemas monárquicos com reis e rainhas, comunidades, estruturas civilizacionais e códigos de conduta rigidamente estabelecidos. Em termos de desenvolvimento cognitivo, velocidade de processamento mental, sabedoria acumulada e capacidade de deslocamento interdimensional, no entanto, se aproximam mais das entidades angélicas do que dos seres humanos.
Assim como na nossa sociedade existe diferença entre um indivíduo e outro, existe diferença entre um elemental e outro, cada um com sua própria personalidade, já que são seres dotados de livre-arbítrio, assim como nós e os anjos. Os que se manifestam como "elementais benignos" na tradição ocultista são, na realidade, entidades menores alinhadas com o Reino da Luz, agindo como agentes da ordem Divina dentro da criação, equilibradores por assim dizer, como costumamos chamar os alunos da Nexo que atingem certo grau de desenvolvimento. Já os que se manifestam como "elementais malignos" são entidades enganadoras, explorando a curiosidade e a ambição humanas pra estabelecer conexões espirituais potencialmente destrutivas.
De modo geral, os elementais demonstram pouca propensão ao contato regular com seres humanos. As experiências documentadas sugerem que os Elementais da Terra e da Água são relativamente mais inclinados à interação, embora com frequência demonstrem natureza ardilosa e potencialmente perigosa. Os Elementais do Fogo, quando abordados com o devido cuidado, tendem a estabelecer relações mais leais e afetuosas, ainda que continuem perigosas pra quem não tem a capacidade correta de interpretar espíritos. Os Espíritos do Ar são, de longe, os mais seletivos: permitem contato só com quem demonstra elevado grau de pureza espiritual e desenvolvimento intelectual, mas, na maioria das vezes, acabam se aproveitando exatamente desse grau intelectual que a própria pessoa carrega, virando esse principio contra ela, tornando ela uma pessoa orgulhosa e propensa ao erro.
A literatura ocultista tradicional, como "A Prática da Evocação Mágica" de Franz Bardon, apresenta sistemas elaborados de evocação e comunicação com elementais. Esses sistemas, por mais complexos que sejam e por mais seguros que pareçam, se apoiam numa premissa espiritual fatalmente falha: a de que um ser humano pode, através de técnicas, controlar entidades espirituais mais antigas e mais poderosas do que ele mesmo. Isso é uma falácia perigosa, caro leitor.
O aparente "controle" obtido através de rituais mágicos costuma esconder uma inversão sutil de papéis, em que o suposto controlador, seja magista ou até um proprio equilibrador da Nexo, vai sendo gradualmente controlado pela entidade, sem nem perceber. Mesmo quando começa com intenções aparentemente boas, a prática evocatória invariavelmente desvia o praticante do verdadeiro propósito espiritual do ser humano: conhecer e refletir a divina providencia. A busca por poder pessoal, mesmo disfarçada de "desenvolvimento espiritual", coloca o próprio ego no centro, e inverte a ordem espiritual correta.
A seguir, vou dispor de um resumo das descrições dos Elementais da natureza contatados por Franz Bardon, e das consequências desse contato.
Elementais do Fogo: Salamandras

As Salamandras habitam o elemento Fogo e costumam ser visualizadas como serpentes flamejantes ou lagartos incandescentes, embora sua forma verdadeira seja bem mais complexa e muito mais variável que isso. São regidas pelo Rei Djin nas tradições cabalísticas, e correspondem ao Arcanjo Miguel na hierarquia angélica.
Essas manifestações do "fogo" no plano espiritual podem ser compreendidas como o proprio reflexo da natureza purificadora e transformadora da presença divina, frequentemente simbolizada pelo fogo em varias tradições. As entidades que se manifestam como "salamandras" são seres espirituais que têm afinidade com esse aspecto transformador da realidade sacra.
O erro crítico do ocultismo em relação a estas entidades está em apresentá-las como forças neutras que podem ser manipuladas pra propósitos pessoais através de rituais adequados. Vi alguns operadores arrogantes tentar controlar esses seres como animais de estimação e o resultado quase sempre foi o mesmo: a operação sempre atrai entidades enganadoras que simulam os efeitos desejados enquanto estabelecem vínculos espirituais danosos, prejudiciais a todos os envolvidos, principalmente a parentes proximos mais despreparados. A invocação de salamandras, quando buscada pra fortalecer a vontade mágica do próprio agente, tende a inflar o ego em vez de fortalecer o caráter, levando quem opera pra fora do caminho real da evolução.
As genuínas forças transformadoras e purificadoras não operam através de evocações ritualísticas, mas através da rendição humana à Divina Providência. A transformação interior de verdade acontece quando permitimos que nossa natureza seja consumida pelo fogo purificador , não quando tentamos manipular forças ígneas pros nossos próprios fins.
Correspondências Tradicionais do Fogo
● Direção: Sul
● Estação: Verão
● Hora: Meio-dia
● Planetas: Sol e Marte
● Signos: Áries, Leão e Sagitário
● Cores: Vermelho, laranja e dourado
● Ferramentas: Athame, Bastão/Varinha, Vela
● Incensos: Olíbano, canela, cravo
● Pedras: Rubi, granada, citrino
● Metais: Ouro e bronze
Hierarquia e Regentes do Fogo
Conforme descrito por Franz Bardon, entre os principais regentes dos Elementais do Fogo destacam-se:
● Pyrhum: soberano poderoso que controla muitos espíritos do fogo. Revela métodos especiais de uso do elemento fogo a quem se aproxima, um "conhecimento" que raramente vem sem custo.
● Aphtiph: posição hierárquica equivalente a Pyrhum, porém menos ativo.
● Orudu: entidade aterrorizante de alta hierarquia, responsável por erupções vulcânicas e grandes incêndios. Pode tanto iniciar quanto controlar e acalmar manifestações ígneas de grande magnitude, o que fez dele um dos regentes mais imprudentemente procurados, da história do elemento.
● Itumo: especializado em tempestades elétricas e fenômenos atmosféricos associados a raios. Circula perto da superfície terrestre.
● Coroman: controla o elemento fogo nos três reinos, humano, animal e vegetal.
● Tapheth: segundo Bardon, auxilia em trabalhos alquímicos
● Oriman: especialista em pirotecnia, associado com frequência a trabalhos realizados em forjas e fundições, onde o fogo é usado em processos industriais.
● Amtophul: considerado um mestre em transmutação e magia do fogo, mas de índole perversa, principalmente contra mulheres.
Elementais do Ar: Silfos

Os Silfos habitam o elemento Ar e costumam ser visualizados como seres etéreos, semitransparentes, com frequência alados. São governados pelo Rei Paralda na tradição elemental, e correspondem ao Arcanjo Rafael nas correspondências angélicas.
A dimensão que o ocultismo atual classifica como reino do ar corresponde a aspectos da realidade espiritual ligados à comunicação, ao intelecto e à transmissão de ideias. As entidades que habitam essa dimensão têm influência particular sobre o pensamento humano e sobre a transmissão de conhecimento.
O erro fundamental nas práticas relacionadas aos silfos está na busca por conhecimento e clarividência através de técnicas que contornam o desenvolvimento adequado.
Correspondências Tradicionais do Ar
● Direção: Leste
● Estação: Primavera
● Hora: Amanhecer
● Planetas: Mercúrio e Júpiter
● Signos: Gêmeos, Libra e Aquário
● Cores: Amarelo, azul-claro e branco
● Ferramentas: Espada, Incensório
● Incensos: Sândalo, lavanda, eucalipto
● Pedras: Ágata, topázio azul, citrino
● Metais: Estanho e alumínio
Hierarquia e Regentes do Ar
Como observado por Franz Bardon, existem oito regentes principais entre os Silfos: Parahim, Apilki, Erkeya, Dalep, Capisi, Drisophi, Glisi e Cargoste. O próprio Bardon se absteve de detalhar cada um deles, alertando que o contato com esses seres é extremamente perigoso. E, cá entre nós caro leitor, se um autor que passou a vida catalogando esse tipo de entidade preferiu não dar detalhes, não vou fazer diferente.
Bardon também sugere que as informações que poderiam vir diretamente desses regentes do ar também podem ser acessadas através dos seres da zona ao redor da terra, uma esfera intermediária que será abordada num futuro artigo da Nexo do Oriente. Com essa prudencia em detalhar os seres do ar quero demonstrar a propria característica intrínseca desse elemento: ele é volátil, intelectual, difícil de fixar em qualquer descrição concreta,.
No gral, posso dizer que aos Silfos são dadas aplicações como comunicação e mediação entre planos, o desenvolvimento intelectual, a divinação e a clarividência, assim como manifestações telepáticas.
Elementais da Água: Ondinas

As Ondinas habitam o elemento Água e costumam ser visualizadas como seres femininos de beleza extraordinária, quase sempre com características de "sereias" na parte inferior do corpo. São governadas pela Rainha Niksa nas tradições elementais, e correspondem ao Arcanjo Gabriel nas correspondências angélicas.
A dimensão aquática no plano espiritual corresponde a aspectos da realidade ligados à emoção, à intuição, à nutrição e à purificação. As entidades que habitam essa dimensão podem ter influência particular sobre o mundo emocional humano e sobre processos regenerativos.
O principal perigo nas práticas relacionadas às ondinas está na manipulação das emoções e dos desejos, tanto próprios quanto alheios. Os rituais descritos pra "magia da atração" ou "influência emocional" através das ondinas são, no fundo, tentativas de contornar e manipular sentimentos de outras pessoas, o que viola um princípio bem simples: O livre-Arbitrio.
Correspondências Tradicionais da Água
● Direção: Oeste
● Estação: Outono
● Hora: Crepúsculo
● Planetas: Vênus e Lua
● Signos: Câncer, Escorpião e Peixes
● Cores: Azul, verde-água e prata
● Ferramentas: Cálice, Espelho
● Incensos: Mirra, lótus, jasmim
● Pedras: Água-marinha, pérola, fluorita
● Metais: Prata e mercúrio
Hierarquia e Regentes da Água
Conforme descrito por Franz Bardon, entre os principais regentes dos Elementais da Água destacam-se:
● Amasol: responsável por causar e acalmar tempestades marítimas. Causador de terríveis tsunamis e naufrágios.
● Ardiphne: influencia humanos e animais através do elemento água, principalmente quando o alvo entra em contato com água de alguma forma (chuva, banho, ingestão de líquidos), causando diversos males a quem não consegue reconhecer sua presença maligna.
● Isaphil: governante feminina de extraordinária beleza, comanda numerosas servas conhecidas como fadas do mar ou ninfas. Detentora de muitos segredos ligados às operações com o elemento água. Personalidade extremamente hostil e digo isso por experiencia propria.
● Amue: regente feminina que controla um grande número de seres aquáticos subordinados. Especializada no controle de peixes e outros animais aquáticos, responsável por diversos ataques de predadores marinhos.
● Aposto: ser masculino que se encontra em riachos e rios. Conhecedor das riquezas subaquáticas, responsável por afogamentos e enchentes.
● Ermot: qualidades parecidas com as de Aposto, especializado na criação de voltos mágicos a partir do elemento água. Usado com frequência de forma maligna pra obtenção de prazeres libidinosos, especialmente quando direcionados a mulheres.
● Osipeh: considerada a mais bela entidade do elemento água, domina completamente tanto o elemento quanto sua natureza correspondente. Especializada no ritmo da água pela magia dos sons, excelente cantora e dançarina. Diz a lenda que é responsável por atrair pescadores e marinheiros, afogá-los no mar, e abusar deles antes disso.
● Istiphul: entidade feminina que domina a arte da transformação através do elemento água, e pode ensinar como despertar amor em amigos ou inimigos, mas sempre de forma doentia e perseguidora.
A "magia da atração" que a tradição associa às ondinas, na prática é nada mais que pessoas induzidas a uma paixão intensa e doentia, sem escolha real do que esta sentindo. A vidência obtida por espelhos d'água costuma vir torta, distorcida, ou francamente mentirosa, embora eu mesmo ja tenha usado, posso dizer com clareza que nunca foi a verdade sendo exposta.
Elementais da Terra: Gnomos

Os Gnomos habitam o elemento Terra e costumam ser visualizados como seres humanoides de pequena estatura, com frequência barbados no caso dos masculinos, com fortes conexões com minerais, cristais e o reino vegetal. São governados pelo Rei Gob nas tradições elementais, e correspondem ao Arcanjo Uriel nas correspondências angélicas.
A dimensão classificada como "reino da terra" corresponde a aspectos da realidade ligados à manifestação física, à estabilidade, à nutrição e ao crescimento. As entidades que habitam essa dimensão têm influência particular sobre o mundo material e sobre processos biológicos.
Geralmente as práticas relacionadas aos gnomos está na busca por prosperidade material e manifestação física através de métodos que ignoram os princípios das leis universais e é aí que os humanos são sempre pegos em seu orgulho e isso por si só ja descarta maiores advertencias da minha parte.
Correspondências Tradicionais da Terra
● Direção: Norte
● Estação: Inverno
● Hora: Meia-noite
● Planetas: Saturno e Vênus
● Signos: Touro, Virgem e Capricórnio
● Cores: Verde, marrom e preto
● Ferramentas: Pentáculo, Sal, Cristais
● Incensos: Patchouli, cipreste, vetiver
● Pedras: Esmeralda, ônix, quartzo fumê
● Metais: Chumbo e cobre
Hierarquia e Regentes da Terra
Conforme descrito por Franz Bardon, entre os principais regentes dos Elementais da Terra destacam-se:
● Mentifil: poderoso rei dos gnomos, conhecedor de todas as ervas medicinais e seus efeitos curativos. Foi usado por alquimistas pra revelar os segredos da transformação da matéria-prima na pedra filosofal, causando muitas mortes e levando muitos estudiosos à loucura por sempre chegarem perto, mas nunca conquistarem. Comanda numerosos gnomos subordinados.
● Ordaphe: rei dos gnomos que influencia todos os metais abaixo da superfície terrestre. Era usado pra mostrar tesouros ocultos em forma de ouro bruto, o que gerou muitas historias no mundo do ocultismo sobre roubos, assaltos e mortes ainda no mundo medieval.
● Orova: governante designado especificamente pra guardar pedras preciosas. Capaz de transformar cristal de quartzo em pedras preciosas, e energizar pedras com o elemento terra. É o famoso criador da mortal "loucura da febre do ouro".
● Idurah: rei dos gnomos comissionado com a cristalização no princípio terreno, especialista em cristais de sal e componentes semelhantes. Não se conhece um único agente capaz de evocá-lo com sucesso, mas ele ficou conhecido por transformar as pessoas em "estátuas de sal". Reza a lenda que ao olhar pra trás a esposa de Ló, sobrinho de Abraão na biblia, viu nada mais nada menos do que o próprio Idurah .
● Musar: um dos mais poderosos reis dos gnomos, especialista na magia da terra, domina as correntes eletromagnéticas dentro do planeta.
● Necas: especializado nos processos de vegetação e seu significado oculto. Ensinou aos Leshy a usar árvores e plantas, como elas são nutridas por correntes subterrâneas, e como acelerar e controlar o crescimento vegetal pela magia dos elementos. Foi muito usado por camponeses e agricultores, que acabavam se transformando em Leshys por conta dessa influência maligna. Ainda essa semana espero poder escrever um artigo designado inteiramente aos Leshys.
● Erami: poderoso rei gnomo, evocado pra magia da simpatia, pra preparação do espelho da terra e de condensadores fluídicos, e pra aplicação prática do elemento terra em técnicas de proteção. O contato com essa entidade é extremamente complicado por ser aproveitado por outras entidades em busca de paixões lascivas com homens.
● Andimo: auxiliador dos seres humanos, especialmente de quem trabalha sob a terra. Conhecedor de cavernas, grutas, águas subterrâneas e minas, oferecia proteção a mineradores. Também conhecido por causar terremotos, avalanches e o colapso de minas, matando muitos mineradores quando estes o ofendiam de alguma forma, o que é muito facil e quase sempre acontece, pois é comprovado que Andimo é um ser de muito orgulho e sensibilidade descabida.
O contato dos gnomos com a natureza, quando buscado da forma correta, o que é raro e continua perigoso, permite ao agente estabelecer elos genuínos com o mundo vegetal e animal.
"Ainda, deve ser mencionado que cada ser aparece de um modo diferente. Eu desisti de descrever a cor de cada ser, o peso, forma e modo de falar, pois seria de pequeno valor ao operador. Poderia inclusive ocorrer que, devido à descrição completa, no momento da evocação ele fosse enganado por seu poder de imaginação, consequentemente criando um elemental ao invés de evocar o ser real. Tal elemental iria então pegar a forma do ser. De modo a prevenir isto, nenhum detalhe será dado aqui sobre a aparência externa de qualquer ser." — Franz Bardon, trecho final do capítulo "Seres dos Quatro Reinos"

Fica o alerta, caro leitor. O conteúdo deste artigo é pra ajuda-lo a discernir a atividade dessas entidades, não a provocá-la. A realidade que quero transmitir antes de qualquer coisa é que a evocação ritual dessas criaturas pode criar um estado alterado de consciência particularmente vulnerável a projeções psicológicas e a intrusões espirituais de seres que costumam se passar por elementais e tentar distinguir uma coisa de outra geralmente leva o operador á loucura. A barreira entre criação imaginativa e contato espiritual real é finíssima. As entidades malignas se aproveitam com frequência dessa semelhança pra estabelecer vínculos com operadores, praticantes e equilibradores desprevenidos, e até com os mais experientes.
A capacidade humana de autoengano, juntada à habilidade de entidades espirituais de adaptar sua manifestação cria um cenário onde a distinção é quase impossível. O praticante se convence de estar contatando "seres verdadeiros", quando na realidade, está interagindo com construtos da própria mente, ou com entidades que se apresentam exatamente do jeito que ele esperava encontrar.
Não existem forças que possam ser manipuladas sem consequência nenhuma, por mais que certa literatura goste de vender essa ideia.
O conhecimento oculto autêntico nunca serve à exaltação do próprio ego, nem ao acúmulo de poder pessoal. Manifestações espirituais que apelam à vaidade, que incentivam manipular o outro, que prometem poder sem responsabilidade, ou conhecimento sem transformação moral, são invariavelmente enganosas, não importa quão impressionantes pareçam por fora e na Nexo do Oriente buscamos, ao menos a quem eu pessoalmente ensino, deixar isso bem esclarecido.
O estudo dos Elementais da Natureza não precisa ser abandonado, mas precisa ser reorientado, e é isso que tentei fazer neste texto.
Para os alunos e equilibradores que já estão envolvidos em práticas evocatórias de elementais da natureza, deixo este conselho: reexamine suas experiências à luz de um discernimento mais profundo. Não pergunte só se as manifestações são "reais". Pergunte que tipo de fruto elas produzem na sua vida e na sua consciência. Porque é através dos frutos colhidos que podemos conhecer a semeadura.
Qualquer duvida, conte sempre com a Nexo.
Referências
● BARDON, Franz. Iniciação ao Hermetismo. [S. l.: s. n.], 1957.
● PARACELSO. As Plantas Mágicas: Botânica Oculta. 1. ed. rev. [S. l.]: Hemus, 2019.
● HARTMANN, Franz. Magia Elemental. 5. ed. atual. [S. l.: s. n.], 1987.
● BARDON, Franz. Prática da Magia Evocatória. 8. ed. atual. [S. l.: s. n.], 1956.
● Elementais. Spectrumgothic.com.br.
● Franz Hartmann

