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Elementais da natureza e sua civilização

Atualizado: 20 de abr. de 2025




Também conhecidos por Espíritos da Natureza, os Elementais podem ser compreendidos, sob uma definição laica, como seres (criaturas físicas ou espirituais) que habitam os quatro reinos da natureza (água, fogo, terra e ar) e podem exercer influência sobre os seres vivos. – Spectrum Gotich

Os Elementais da Natureza representam um dos fundamentos mais importantes e, paradoxalmente, mais incompreendidos da tradição ocidental. Habitantes de um plano intermediário entre o físico e o astral, estas inteligências não-humanas são consideradas agentes primordiais das forças elementais manifestas. Sua compreensão adequada constituem uma das pedras angulares do saber espiritual.

Este texto examina com profundidade estas categorias de existência, partindo das concepções estabelecidas por Paracelso (1493-1541), cujos escritos foram posteriormente sistematizados por Franz Hartmann na Alemanha do século XIX, e complementados pelos avançados sistemas operativos descritos por Franz Bardon no século XX, notavelmente em sua obra "A Prática da Evocação Mágica". Oferecemos aqui não apenas uma compilação dessas fontes primárias, mas uma análise interpretativa e sistematizada, destinada aos buscadores mais sérios.

É importante estabelecer, desde o princípio, que este artigo não pretende fornecer instruções para evocações ou práticas desacompanhadas. Por questões de segurança ontológica e integridade operacional, desaconselhamos veementemente qualquer tentativa de contato com estas entidades. O conteúdo aqui apresentado visa primariamente à compreensão teórica. Desta forma nossa análise não irá fornecer instruções para práticas evocatórias ou manipulação de forças elementais. Pelo contrário, oferecemos uma perspectiva reveladora que permite ao leitor familiarizado com estas tradições reconhecer a realidade espiritual subjacente e os perigos inerentes à abordagem puramente ocultista deste conhecimento.

Os Elementais da Natureza são seres cuja substância primordial difere fundamentalmente da constituição humana. Enquanto a vida orgânica no plano físico é predominantemente baseada no carbono, cada categoria de elemental é constituída essencialmente pelo elemento que representa. Assim, uma Salamandra (Elemental do Fogo) possui o fogo como sua matriz constitutiva fundamental, da mesma forma que um Humano existe naturalmente na atmosfera terrestre.

“O Elemento está para o Elemental como a atmosfera está para o Homem e a água para os peixes, e nenhum deles sobrevive em elemento pertencente à outra classe. Para o Ser Elemental o Elemento no qual vive é transparente, invisível e respirável, como a atmosfera para nós mesmos.” Philosophia Occulta – Franz Hartman

O conceito de seres especializados associados a diferentes aspectos da criação não é em si mesmo falso. O erro crítico do ocultismo e principalmente do ocultista cujo objetivo de equilibrar o nosso plano fisico é semelhante aos dos membros da Oslum, está justamente em separar estes seres de sua verdadeira natureza e propósito espiritual, apresentando-os como forças neutras ou ambíguas que podem ser manipuladas através de técnicas mágicas apropriadas, o que é claramente um erro.

A verdade é que estas entidades não existem em uma espécie de vácuo moral ou limbo espiritual, mas são participantes ativos da batalha cósmica entre luz e trevas que frequentemente travamo em nossa vida. São seres criados, não forças primordiais independentes, e assim como os anjos, estão sujeitos à autoridade do Criador e ao plano divino para toda a criação.

Estes elementais vivem numa sub divisão de nosso plano, numa escala entre nossa existência e os habitantes do astral, situados em uma esfera entre estes dois planos.

Nosso plano físico para um elemental, é como um “campo Neutro”, onde ele também pode se locomover, pois em nosso plano material podemos obter naturalmente o fogo, a agua, o ar e a terra e assim fica possível ao elemental utilizar aspectos destes elementos manifestados em nosso plano para agir também aqui. Reza a lenda que os elementais utilizam este campo neutro em nosso plano para travar terríveis batalhar entre si.

“Os antigos acreditavam que, por exemplo, quando um raio atingia uma montanha, era um sinal de que elementais do ar atacavam elementais da terra. – Occultura

Os Elementais da Natureza são seres cuja substância primordial difere totalmente da constituição humana. Enquanto a vida orgânica no plano físico é predominantemente baseada no carbono, cada categoria de elemental é constituída essencialmente pelo elemento que representa. Assim, uma Salamandra (Elemental do Fogo) possui o fogo como sua matriz constitutiva fundamental, da mesma forma que um Humano existe naturalmente na atmosfera terrestre.

Conforme sistematizado por Paracelso, os elementais, além de seu elemento primordial característico, possuem em sua composição uma substância quintessencial denominada Éter – um princípio sutil que media a interface entre os planos materiais e imateriais, semelhante á alma humana, mas sem a centelha Divina que nos faz imagem do proprio criador.


Diferentemente de certas entidades puramente espirituais, os elementais não são considerados imortais. Sua expectativa de vida varia consideravelmente de acordo com seu elemento regente, mas geralmente situa-se entre 300 e 1.000 anos. Os Elementais da Terra possuem a menor longevidade, enquanto os Elementais do Ar são os mais longevos entre as quatro categorias. Esta característica temporal é crucial para compreender a relação destes seres com a esfera humana e suas possibilidades de interação.

Os elementais organizam-se em estruturas sociais complexas, análogas em certos aspectos às civilizações humanas. Possuem hierarquias próprias, sistemas monárquicos com reis e rainhas, comunidades, estruturas civilizacionais e códigos de conduta rigidamente estabelecidos. Entretanto, em termos de desenvolvimento cognitivo, velocidade de processamento mental, sabedoria acumulada e capacidade de deslocamento interdimensional, aproximam-se mais das entidades angélicas que dos seres humanos.

Assim como na sociedade humana existe uma certa diferença entre um elemental e outro, caracterizado por sua propria personalidade, pois são seres dotados de livre arbitrio, assim como nós e os anjos. Assim os seres que se manifestam como "elementais benignos" na tradição ocultista são, na realidade, entidades menores alinhadas com o Reino da Luz, frequentemente atuando como agentes da ordem Divina na criação. Aqueles que se manifestam como "elementais malignos" são entidades enganadoras a serviço das forças obcuras, explorando a curiosidade e a ambição humanas para estabelecer conexões espirituais potencialmente destrutivas.


De modo geral, os elementais demonstram pouca propensão ao contato regular com seres humanos. As experiências documentadas sugerem que os Elementais da Terra e da Água são relativamente mais inclinados à interação, embora frequentemente demonstrem natureza ardilosa e potencialmente perigosa. Os Elementais do Fogo, quando adequadamente abordados, tendem a estabelecer relações mais leais e afetuosas, ainda que perigosas para aqueles sem a capacidade correta de interpretar espiritos. Os Espíritos do Ar são notoriamente os mais seletivos, permitindo contato apenas com indivíduos humanos que demonstrem elevado grau de pureza espiritual e desenvolvimento intelectual, mas na maioria das vezes se aproveitam desse Orgulho" intelectual contido na pessoa para seus próprios interesses. A literatura ocultista tradicional, como a obra "A Prática da Evocação Mágica" de Franz Bardon, apresenta elaborados sistemas de evocação e comunicação com elementais. Estes sistemas, independentemente de sua complexidade técnica e aparência de segurança, fundamentam-se em premissas espirituais fatalmente falhas, como a  ideia de que um ser humano pode, através dessas técnicas, controlar entidades espirituais mais antigas e poderosas que ele mesmo e isso é uma perigosa falácia. O aparente "controle" obtido através de rituais mágicos frequentemente mascara uma sutil inversão de papéis, onde o suposto controlador, seja magista ou um proprio agente do equilibrio universal, torna-se gradualmente controlado pela entidade, sem nem ao menos se dar conta disso. Mesmo quando iniciada com intenções aparentemente positivas, a prática evocatória invariavelmente desvia o praticante do verdadeiro propósito espiritual do ser humano – conhecer e refletir o Criador. A busca por poder pessoal, ainda que disfarçada de "desenvolvimento espiritual", coloca o eu (EGO) no centro, invertendo a ordem espiritual correta.


A seguir disponho de um RESUMO das descrições dos Elementais da natureza contatados por Franz Bardon e as consequencias deste contato.

 Classificação e Atributos dos Elementais

Elementais do Fogo: Salamandras

As Salamandras habitam o elemento Fogo e são frequentemente visualizadas como serpentes flamejantes ou lagartos incandescentes, embora sua verdadeira forma seja muito mais complexa e variável. São regidas pelo Rei Djin nas tradições cabalísticas e pelo Arcanjo Miguel na hierarquia angélica correspondente. Essas manifestações ígneas no plano espiritual são reflexos de uma realidade muito mais profunda – a natureza purificadora e transformadora da presença Divina, frequentemente simbolizada pelo fogo nas escrituras sagradas. As entidades que se manifestam como "salamandras" são seres espirituais que têm afinidade com este aspecto transformador da realidade Divina. O erro crítico do ocultismo em relação a estas entidades está em apresentá-las como forças neutras que podem ser manipuladas para propósitos pessoais através de rituais adequados. A invocação de seres ígneos para "purificação", "exorcismo" ou "transmutação alquímica" desvinculada da submissão à Divina Providencia e invariavelmente atrai entidades enganadoras que simulam os efeitos desejados enquanto estabelecem vínculos espirituais danosos e prejudiciais á todos. As genuínas forças transformadoras e purificadoras operam não através de evocações ritualísticas, mas através da rendição humana à Divina Providencia. A transformação interior autêntica ocorre quando permitimos que nossa natureza seja consumida pelo fogo purificador do amor Divino, não quando tentamos manipular forças ígneas para nossos próprios propósitos.

Correspondências "Metafisicas" do fogo:

  • Direção: Sul

  • Estação: Verão

  • Hora: Meio-dia

  • Planetas: Sol e Marte

  • Signos: Áries, Leão e Sagitário

  • Cores: Vermelho, laranja e dourado

  • Ferramentas: Athame, Bastão/Varinha, Vela

  • Incensos: Olíbano, canela, cravo

  • Pedras: Rubi, granada, citrino

  • Metais: Ouro e bronze


Hierarquia e Regentes:

Conforme descrito por Franz Bardon, entre os principais regentes dos Elementais do Fogo destacam-se:

  1. Pyrhum - Soberano poderoso que controla muitos espíritos do fogo. Revela métodos especiais do uso do elemento fogo.

  2. Aphtiph - De posição hierárquica equivalente a Pyrhum, porém menos ativo.

  3. Orudu - Entidade aterrorizante de alta hierarquia, responsável por erupções vulcânicas e grandes incêndios. Pode tanto iniciar quanto controlar e acalmar manifestações ígneas de grande magnitude.

  4. Itumo - Especializado em tempestades elétricas e fenômenos atmosféricos associados a raios. Circula próximo à superfície terrestre e pode ensinar sobre manifestações atmosféricas do elemento fogo.

  5. Coroman - Controla o elemento fogo nos três reinos (humano, animal e vegetal).

  6. Tapheth - Segundo Bardon, auxilia em trabalhos alquimicos, mas a Oslum e seus colaboradores não incentivam de forma alguma a pratica da transmutação alquimica oferecida por Tapheth, uma hora que este mesmo pode se tornar ardiloso e facilmente corruptíveis.

  7. Oriman - Especialista em pirotecnia. Frequentemente associado a trabalhos realizados em forjas e fundições onde o fogo é utilizado em processos industriais.

  8. Amtophul - Considerado um mestre em transmutação e magia do fogo. Porém, tem a indole perversa, principalmente contra mulheres.


    Aplicações Cerimoniais:

Na Alta Magia Cerimonial, os Elementais do Fogo são invocados primariamente para trabalhos de:

  1. Purificação e Exorcismo - A natureza consumidora e transformadora do fogo é especialmente eficaz na eliminação de influências negativas e entidades indesejadas. Contudo, é frequentemente usado da forma errada, onde o proprio agente tenta controlar a entidade, ou obriga-la a realizar algum ato.

  2. Transmutação Alquímica - Os regentes do fogo, particularmente Tapheth, são usados nos processos de calcinação e destilação alquímicas, resultando numa deturpação de sua própria capacidade, levando o agente que esta tentando contato á um estado de loucura quase irreversível.

  3. Estimulação da "Vontade Mágica" - A invocação de salamandras fortalece o centro da vontade do agente, aumentando seu ego, o levando ao erro e pra fora do verdadeiro caminho da evolução e da Divina Providencia.

Elementais do Ar: Silfos

Os Silfos habitam o elemento Ar e são visualizados tradicionalmente como seres etéreos, semi-transparentes, frequentemente alados. São governados pelo Rei Paralda na tradição elemental e pelo Arcanjo Rafael nas correspondências angélicas. A dimensão que o ocultismo atual classifica como "reino do ar" corresponde a aspectos da realidade espiritual relacionados à comunicação, ao intelecto e à transmissão de ideias. As entidades que habitam esta dimensão têm particular influência sobre o pensamento humano e sobre a transmissão de conhecimento, podendo tornar o agente suscetível a vontade de seres dos quais ele não compreende totalmente. O erro fundamental nas práticas relacionadas aos silfos está na busca por conhecimento e clarividência através de técnicas que contornam o desenvolvimento moral e espiritual adequado. O conhecimento verdadeiro não é uma conquista técnica, mas um dom concedido àqueles cujos corações e mentes estão adequadamente preparados para recebê-lo.

Correspondências:

  • Direção: Leste

  • Estação: Primavera

  • Hora: Amanhecer

  • Planetas: Mercúrio e Júpiter

  • Signos: Gêmeos, Libra e Aquário

  • Cores: Amarelo, azul-claro e branco

  • Ferramentas: Espada, Incensório

  • Incensos: Sândalo, lavanda, eucalipto

  • Pedras: Ágata, topázio azul, citrino

  • Metais: Estanho e alumínio

    Hierarquia e Regentes:

Como observado por Franz Bardon, existem oito regentes principais – Parahim, Apilki, Erkeya, Dalep, Capisi, Drisophi, Glisi e Cargoste – mas abstém-se de fornecer detalhes específicos sobre cada um, observando que o contato com estes seres é extremamente perigoso.

Bardon também sugere que as informações que poderiam ser obtidas diretamente destes regentes do ar também podem ser acessadas através dos seres da "zona ao redor da terra" – uma esfera intermediária que será abordada posteriormente em outro artigo da Oslum. Esta reticência em detalhar os seres do ar não é acidental, mas reflete uma característica intrínseca deste elemento: sua natureza volátil, intelectual e difícil de fixar em descrições concretas.

Aplicações Cerimoniais:

Na Alta Magia Cerimonial, os Elementais do Ar são usados principalmente para:

  1. Comunicação e Mediação - Os silfos são considerados intermediários entre diferentes planos de existência e são usados de forma errônea, na intenção de obter "Dons" que não pertencem a nós.

  2. Desenvolvimento Intelectual - A invocação ritualística dos silfos influencia negativamente na clareza mental, inspiração criativa e capacidade analítica, deixando a mente do agente suscetível á vontade da própria entidade.

  3. Divinação e Clarividência - Os silfos são particularmente usados para revelar informações ocultas e facilitar a percepção de eventos distantes no espaço ou no tempo, alterando a percepção espacial do agente e confundindo sua tomada de decisões.

  4. Manifestações Telepáticas - O trabalho ritualístico com os elementais do ar pode influenciar negativamente as faculdades telepáticas do agente, levando-o a crer que seus pensamentos não são realmente seus.


Elementais da Água: Ondinas

As Ondinas habitam o elemento Água e são tradicionalmente visualizadas como seres femininos de beleza extraordinária, frequentemente com características pisciformes em sua parte inferior. São governadas pela Rainha Niksa nas tradições elementais e pelo Arcanjo Gabriel nas correspondências angélicas.

A dimensão aquática no plano espiritual corresponde a aspectos da realidade relacionados à emoção, intuição, nutrição e purificação. As entidades que habitam esta dimensão podem ter particular influência sobre o mundo emocional humano e sobre processos regenerativos, deixando o agente completamente exposto.

 O principal perigo nas práticas relacionadas às ondinas está na manipulação das emoções e desejos – tanto próprios quanto alheios. Os rituais descritos para "magia da atração" ou "influência emocional" através das ondinas representam essencialmente tentativas de contornar o livre-arbítrio e manipular sentimentos, violando princípios fundamentais de respeito pelo outro.

Correspondências:

  • Direção: Oeste

  • Estação: Outono

  • Hora: Crepúsculo

  • Planetas: Vênus e Lua

  • Signos: Câncer, Escorpião e Peixes

  • Cores: Azul, verde-água e prata

  • Ferramentas: Cálice, Espelho

  • Incensos: Mirra, lótus, jasmim

  • Pedras: Água-marinha, pérola, fluorita

  • Metais: Prata e mercúrio

Hierarquia e Regentes:

Conforme descrito por Franz Bardon, entre os principais regentes dos Elementais da Água destacam-se:

  1. Amasol - Responsável por causar e acalmar tempestades marítimas. Causador de terríveis tsunamis e naufrágios

  2. Ardiphne - Entidade que pode influenciar humanos e animais através do elemento água. Particularmente quando o alvo entra em contato com água de alguma forma (chuva, banho, ingestão de líquidos), causando diversos males á aqueles que não conseguem distinguir sua presença maligna.

  3. Isaphil - Governante feminina de extraordinária beleza, comanda numerosas servas conhecidas como fadas do mar ou ninfas. Detentora de muitos segredos relacionados às operações com o elemento água. Sua personalidade é extremamente hostil e orgulhosa.

  4. Amue - Regente feminina que controla grande número de seres aquáticos subordinados. Especializada no controle de peixes e outros animais aquáticos, é responsavel por diversos ataques de predadores marinhos. .

  5. Aposto - Ser masculino que se encontra em riachos e rios. Conhecedor das riquezas subaquáticas, é responsável por afogamentos e enchentes.

  6. Ermot - Compartilha qualidades semelhantes às de Aposto, especializado na criação de volts mágicos a partir do elemento água. Particularmente usado de forma maligna para obtenção de prazeres libidinosos especialmente quando direcionadas a mulheres.

  7. Osipeh - Considerada a mais bela entidade do elemento água, domina completamente tanto o elemento quanto sua natureza correspondente. Especializada no ritmo do elemento água pela magia dos sons, é excelente cantora e dançarina, diz a lenda que é responsável por atrair pescadores e marinheiros e afoga-los no mar, depois de abusa-los sexualmente.

  8. Istiphul - Entidade feminina que domina a arte da transformação através do elemento água e pode ensinar como despertar amor em amigos ou inimigos de forma doentia e perseguidora.

Aplicações Cerimoniais:

Na Alta Magia Cerimonial, os Elementais da Água são invocados principalmente para:

  1. Magia da Atração - As ondinas são particularmente usadas em rituais de amor, levando pessoas á uma paixão intensa e doentia.

  2. Vidência e Adivinhação - Através de espelhos d'água e outros meios de hidromancia, são usados para prever acontecimentos, mas invariavelmente costumam mentir ou distorces as visões

  3. Trabalhos com o Subconsciente - Os elementais da água possuem acesso direto às camadas profundas da psique humana, podendo influenciar o trabalho com conteúdos subconscientes e arquetípicos, manipulando negativamente a obtenção do resultado.

Elementais da Terra: Gnomos

Os Gnomos habitam o elemento Terra e são tradicionalmente visualizados como seres humanoides de pequena estatura, frequentemente barbados no caso dos masculinos, com fortes conexões com minerais, cristais e o reino vegetal. São governados pelo Rei Gob nas tradições elementais e pelo Arcanjo Uriel nas correspondências angélicas. A dimensão classificada como "reino da terra" corresponde a aspectos da realidade relacionados à manifestação física, estabilidade, nutrição e crescimento. As entidades que habitam esta dimensão têm particular influência sobre o mundo material e processos biológicos.

O erro crucial nas práticas relacionadas aos gnomos está na busca por prosperidade material e manifestação física através de métodos que ignoram os princípios Divinos de trabalho, responsabilidade e humildade. A promessa de riqueza e abundância através de rituais mágicos subverte o propósito divino dos recursos materiais. Os recursos da terra foram criados para ser compartilhados com justiça e administrados com sabedoria, não acumulados através de manipulação espiritual. A verdadeira abundância não resulta de rituais para atrair riqueza, mas de viver em harmonia com a Divina Providencia, a generosidade, trabalho honesto e a responsabilidade pelo bem comum.

Correspondências:

  • Direção: Norte

  • Estação: Inverno

  • Hora: Meia-noite

  • Planetas: Saturno e Vênus

  • Signos: Touro, Virgem e Capricórnio

  • Cores: Verde, marrom e preto

  • Ferramentas: Pentáculo, Sal, Cristais

  • Incensos: Patchouli, cipreste, vetiver

  • Pedras: Esmeralda, ônix, quartzo fumê

  • Metais: Chumbo e cobre

Hierarquia e Regentes:

Conforme descrito por Franz Bardon, entre os principais regentes dos Elementais da Terra destacam-se:

  1. Mentifil - Poderoso rei dos gnomos, conhecedor de todas as ervas medicinais e seus efeitos curativos. Foi usado por alquimistas para revelar os segredos da transformação da matéria-prima na pedra filosofal, causando muitas mortes e levando muitos estudiosos á loucura. Comanda numerosos gnomos subordinados que auxiliam em seus trabalhos no reino da terra.

  2. Ordaphe - Rei dos gnomos que influencia todos os metais encontrados abaixo da superfície terrestre. Era usado para mostrar os tesouros ocultos na forma de ouro bruto, o que ocasionou diversos roubos, assaltos e mortes num mundo medieval pré-moderno. Seus subordinados dividem-se entre aqueles que guardam os minérios e aqueles responsáveis por seu refinamento e manutenção.

  3. Orova - Governante especificamente designado para guardar pedras preciosas. Capaz de transformar cristal de quartzo em pedras preciosas e energizar pedras com o elemento terra. Conhece profundamente o significado oculto de todas as pedras preciosas. É usado frequentemente pela ganancia humana que acha que pode controla-lo, levando diversos agentes, mesmo os mais experientes, á famosa "Loucura da febre do ouro"

  4. Idurah - Rei dos gnomos comissionado com a cristalização no princípio terreno. Especialista em cristais de sal e outros componentes semelhantes. Não foi conhecido um único agente que foi capaz de evocar tal entidade, porém ficou conhecido por transformar aqueles que tentam em "Estatuas de sal"

  5. Musar - Um dos mais poderosos reis dos gnomos, especialista na magia da terra. Domina sobre as correntes eletromagnéticas dentro da terra. Foi o causador de diversos distúrbios na natureza através dos fluidos elétrico e magnético da terra.

  6. Necas - Especializado nos processos de vegetação e seu significado oculto. Ensinou aos Leshy como utilizar árvores e plantas e como são nutridas pelas correntes subterrâneas, como também á acelerar e controlar o crescimento vegetal através da magia dos elementos. Era muito utilizado por camponeses e agricultores que acabavam se transforando em Leshys por conta de sua influencia maligna.

  7. Erami - Considerado um poderoso rei gnomo, era evocado para magia da simpatia e a preparação do espelho da terra e condensadores fluídicos. Como também na aplicação prática do elemento terra e as técnicas de proteção através deste elemento. O contato com essa entidade foi, posteriormente, contra indicada, por ser utilizada por outras entidade que buscavam o proveito de paixões lascivas no homem.

  8. Andimo - Auxiliador dos seres humanos, especialmente daqueles que trabalham sob a terra. Conhecedor de cavernas, grutas, águas subterrâneas e minas. Oferecia proteção a mineradores e todos que precisam trabalhar abaixo da superfície terrestre. Também conhecido por causar terremotos e avalanches, como a queda de minas terrestres, matando muito mineradores ao longo da historia, por tentarem contato ganancioso com esta entidade

Aplicações Cerimoniais:

Na Alta Magia Cerimonial, os Elementais da Terra são invocados principalmente para:

  1. Prosperidade Material - Os gnomos são particularmente eficazes em rituais de manifestação de abundância, estabilidade financeira e recursos materiais obtidos de forma errada, levando muitos agentes á Febre do Ouro, que culminava numa loucura sem precedentes.

  2. Cura Física - A conexão dos elementais da terra com ervas, cristais e minerais os tornava frequentemente utilizados em trabalhos de cura corporal e fortalecimento físico em troca de alguns anos de vida do próprio agente.

  3. Proteção Mágica - Por sua natureza densificadora e estabilizadora, os elementais da terra foram usados como formas de proteção mágica contra influências perturbadoras, mas eram conhecidos por se permitirem ser tentados pelas mesmas entidades, por sua ganancia e perversidade.

  4. Trabalhos Alquímicos - Os regentes da terra, particularmente Mentifil e Ordaphe, foram usados como instrumentais nos processos de transmutação material e espiritual da alquimia prática, levando a resultados desfigurados e assustadores.

  5. Conexão com a Natureza - Os gnomos facilitam a comunicação com o reino vegetal e animal, permitindo o agente estabelecer elos sinergéticos com os aspectos manifestos da natureza, quando são realmente utilizados da forma correta, o que é raro e muito perigoso.

“Ainda, deve ser mencionado que cada ser aparece de um modo diferente. Eu desisti de descrever a cor de cada ser, o peso, forma e modo de falar, pois seria de pequeno valor ao mago. Poderia inclusive ocorrer que devido à descrição completa que no momento da evocação ele fosse enganado por seu poder de imaginação, consequentemente criando um elementar ao invés de evocar o ser real. Tal elementar iria então pegar a forma do ser. De modo a prevenir isto nenhum detalhe será dado aqui sobre a aparência externa de qualquer ser.” Trecho final do capitulo “Seres dos quatro reinos” – Franz Bardon”

Em alerta, e a Oslum não indica o contato com estes seres, o conteudo do artigo atual é para auxiliar o Agente, membro da Oslum ou leitor curioso a discernir a atividade de tais entidades. A realidade que queremos transmitir antes de qualquer coisa é que a evocação ritual destas criaturas pode criar um estado alterado de consciência particularmente vulnerável a projeções psicológicas e, mais significativamente, a intrusões espirituais enganosas de seres que frequentemente se passam por elementais. A barreira entre criação imaginativa e contato espiritual real é extremamente tênue, e entidades malignas frequentemente se aproveitam desta ambiguidade para estabelecer vínculos com agentes, praticantes e magistas desprevenidos e até mesmo dos mais experientes.

A capacidade humana de auto-engano, combinada com a habilidade de entidades espirituais em adaptar sua manifestação às expectativas do evocador, cria um cenário onde a verificação objetiva torna-se praticamente impossível. O praticante convence-se de estar contatando "seres verdadeiros", quando na realidade está interagindo com construtos de sua própria mente ou com entidades enganadoras que se apresentam de acordo com suas expectativas.

O conhecimento genuíno sobre as dimensões espirituais da realidade não vem através de elaborados sistemas rituais ou técnicas de evocação, mas através do desenvolvimento do discernimento espiritual verdadeiro. Este discernimento não é uma habilidade técnica, mas uma capacidade que se desenvolve à medida que alinhamos nossa consciência com a Divina Providencia.


Para aqueles que buscam compreender a realidade multidimensional do cosmos sem cair nas armadilhas, oferecemos as seguintes diretrizes:

  1. Reconheça a Realidade Espiritual: A existência de dimensões além do físico e de seres não-humanos que habitam estas dimensões é uma realidade. Negar isto é tão errôneo quanto obsessionar-se com estas realidades.

  2. Entenda a Verdadeira Hierarquia: Todas as entidades espirituais estão subordinadas ao Criador e sua Divina Vontade, e todas se alinham consciente ou inconscientemente com o bem ou com o mal. Não existem "forças neutras" que possam ser manipuladas sem consequências morais.

  3. Desenvolva Discernimento Interior: A capacidade de distinguir manifestações espirituais genuínas de falsificações ou projeções psicológicas (O discernimento de espíritos) não vem através de técnicas, mas através da purificação interior e do alinhamento com a Divina providencia e seus Propósitos reais.

  4. Busque Conhecimento com o Propósito Correto: O conhecimento espiritual autêntico nunca serve à exaltação do ego ou ao acúmulo de poder pessoal, mas sempre conduz a maior compaixão, humildade e serviço.

  5. Reconheça os Sinais: Manifestações espirituais que apelam à vaidade, incitam à manipulação de outros, prometem poder sem responsabilidade ou conhecimento sem transformação moral são invariavelmente enganosas, independentemente de quão impressionantes possam parecer.

O estudo dos "Elementais da Natureza" não precisa ser abandonado, mas deve ser fundamentalmente reorientado. Em vez de buscar contato e controle através de rituais, símbolos e evocações, podemos desenvolver uma compreensão mais profunda da multi-dimenssão e da criação através da contemplação, da observação e do discernimento espiritual cultivado.

As realidades que o ocultismo classifica como "reinos elementais" são aspectos genuínos da criação, mas sua verdadeira natureza é muito mais integrada e propositiva do que os sistemas mágicos sugerem ou tentam ensinar. Quando vistas através do prisma da verdade integral, estas dimensões revelam-se não como fontes de poder a ser manipulado, mas como expressões da infinita criatividade e sabedoria Divina.

Para aqueles envolvidos em práticas evocatórias ou outro trabalho com "elementais", oferecemos este conselho: reexamine suas experiências à luz de um discernimento mais profundo. Pergunte-se não apenas se as manifestações são "reais", mas que tipo de fruto produzem em sua vida e consciência. O verdadeiro conhecimento espiritual invariavelmente conduz à humildade, a compaixão e serviço, unidas com a Obediência á Divina Providencia – nunca à auto-exaltação ou manipulação de outros.

A tradição ocultista sobre elementais contém fragmentos de verdade entrelaçados com distorções significativas. Como caçadores da verdade e agentes do equilibrio, nossa tarefa na Oslum não é rejeitar completamente este conhecimento, mas sim purificá-lo e restaurá-lo ao seu propósito original – revelar a magnificência e a ordem da criação Divina e nosso lugar de responsabilidade dentro dela.



Referencias:

  • BARDON, Franz. Iniciação ao hermetismo. [S. l.: s. n.], 1957?.

  • Paracelso. As Plantas Mágicas: Botânica Oculta. 1. ed. rev. [S. l.]: Hemus, 2019. 236 p. ISBN 9788528905403.

  • HARTMANN, FRANZ. Magia Elemental. 5. ed. atual. [S. l.: s. n.], 1987.

  • BARDON, Franz. Pratica da Magia Evocatória. 8. ed. atual. [S. l.: s. n.], 1956.

  • Elementais. Spectrumgothic.com.br. Disponível em: . Acesso em: 15 May 2021.

  • CONTRIBUIDORES DOS PROJETOS DA WIKIMEDIA.

  • Franz Hartmann. Wikipedia.org. Disponível em: . Acesso em: 15 May 2021. HTTPS://GNOSISBRASIL.COM.

  • Magia Elemental – Aprenda a manejar as forças da Natureza! Gnosis Brasil. Disponível em: . Acesso em: 15 May 2021


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