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Guia Verdadeiro do Tarot: História, Cabala e Escolha do Deck

Atualizado: 22 de ago.

1° parte: A Historia

"Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, se entendem e se veem pelas coisas que estão feitas, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade..." — Romanos 1:20

"O Tarot é um livro monumental e de uma simplicidade singular, uma chave de todas as ciências, a obra-prima da mente humana e certamente uma das coisas mais belas que a Antiguidade nos deixou; uma clavícula verdadeira, um texto sem páginas encadernadas que contém em si a cifra da criação." — Éliphas Lévi, Dogma e Ritual da Alta Magia

Existe uma pergunta que define muito quem está estudando tarô da maneira certa ou não. Diferente dos ocultistas esquisotéricos, quem procura estudar de forma densa a crônica viva e deslumbrante anatomia do agora oculta no tarô não faz perguntas do tipo "o que vai acontecer amanhã?" ou “Meu ex vai voltar comigo?”, mas algo bem mais incômodo e sofisticado aparece na mente desses estudantes mais sérios: “Por que estas setenta e oito cartas específicas, nesta ordem específica, produzem sentido onde qualquer outro conjunto de cartas não produzem?” Essa é a pergunta certa. E é também a pergunta que a maior parte do material em português simplesmente não faz, porque prefere ir direto ao "significado da Torre", ou ao "o que a carta do dia diz sobre você", pulando por cima de dois mil anos de arquitetura simbólica como quem pula uma poça d'água depois da chuva.

Quem passa tempo suficiente debruçado sobre o as laminas do Tarot, e não folheando livretinho de significado, aqueles que se dedicam cruzando fontes, comparando gravuras de séculos diferentes, seguindo a trilha que vai de Milão a Paris e de Paris a Londres, sabe que o erro mais comum e mais caro é tratar o baralho como oráculo de sorte, como um jogo de adivinhação sem consequências, sem correspondências. Esse erro não é só perigoso. É Cortar fora a parte que dá densidade real ao Tarot: sua capacidade de ser um compêndio de leis universais disposto em imagens. A imagem, diferente da palavra escrita, escapa da censura do tempo, da língua e da modernização. Um camponês analfabeto do século XV conseguia "ler" uma carta de trunfo que compõe o tarô medieval do mesmo jeito que conseguia "ler" o afresco de uma capela católica. A ideia, recorrente entre os primeiros ocultistas que se lançaram ao estudo do baralho de tarô, era exatamente essa: que ali estava preservado, sob a forma inofensiva de um jogo de cartas, um resumo cifrado de uma sabedoria antiga demais e perigosa demais pra simplesmente morrer junto ao fogo clérigo.

E aqui vale a observação que há em praticamente todos os artigos da Nexo. Toda cosmologia séria, ocidental ou oriental, parte da mesma intuição de fundo: a de que existe uma linguagem por trás da linguagem, um verbo antes da palavra, a Verdade por detrás da verdade e que aprender a reconhece-la é aprender a ler o universo todo, os Deuses e a si próprio. É a mesma intuição por trás do epígrafe de Romanos que abre este artigo: "O que é invisível se torna visível através do que é feito, do que é criado e do que ganha forma." Assim, o Tarot é mais uma tentativa, entre tantas que a humanidade já fez, de organizar essa linguagem oculta do macrocosmo e refletir ela num microcosmo, ou melhor; em algo que caiba na palma da mão.

Consideramos então que a diferença entre o Tarot Ocultista e o Tarot Oracular é a questão primaria de que o baralho em si foi realmente transformado e transmutado, ao longo de dois séculos de trabalho ocultista sério, e transformado numa arquitetura coerente que, no fim, entrega ao estudante disciplinado não um jogo de prever o futuro, mas um mapa do humano e do divino: uma cosmologia completa do Todo impressa em figuras.

Agora, sem mais delongas, vamos á primeira parte, tratando dos detalhes da história real do Tarot e de como ele foi usurpado pelo ocultismo ocidental. Passando pela geometria hermética e a cabalística que sustenta os Arcanos, pela leitura que a psicologia analítica de Jung fez do baralho no século XX, e, por fim, por um guia prático pra quem está escolhendo o primeiro deck. Na Parte 2, cuidamos do que vem depois de comprar o baralho: a preparação do espaço, os métodos de purificação, a disciplina do estudo diário, e o processo verdadeiro, e não decorativo, de consagração do deck.

A História Real do Tarot:

Pra compreender o Tarot sem cair no terreno da fantasia mística, o estudante precisa exercer um discernimento histórico preliminar. É preciso separar a história documental e a história da transmutação ocultista que ocorreu. São duas histórias diferentes, que só depois de contadas separadamente fazem sentido juntas:

A Itália do Século XV

A verdadeira historia exige começar por onde a documentação histórica realmente começa, e ela não começa em templos egípcios nem com ciganos itinerantes, apesar de esse ser esse o mito de origem mais repetido em círculos ocultistas. A historia acadêmica não encontra nenhuma evidência documental do Tarot no Egito Antigo, na Babilônia ou na Antiguidade Clássica logo no inicio. "As cartas de jogar", de modo geral, chegaram à Europa do Sul no final do século XIV, vinda do mundo islâmico através do jogo Mamluk.

O Tarot propriamente dito nasceu no norte da Itália, em Milão, Ferrara e Bolonha, na primeira metade do século XV, sob o nome de Carte da trionfi, "cartas de trunfos", ou Tarocchi. E não eram cartas de adivinhação; eram cartas de um jogo de trunfos, uma variação sofisticada dos jogos que já eram bem comuns na Europa, à qual se acrescentou um conjunto adicional de vinte e uma cartas alegóricas mais o Louco, funcionando como trunfo permanente sobre os quatro naipes tradicionais. Era, antes de mais nada, um jogo de cartas aristocrático de estratégia, feitas pela arte do humanismo renascentista, que incorporava imagens "triunfais" de inspiração, de vícios, virtudes e a alegoria do caminho humano e religioso.

O exemplar mais citado, e um dos mais bem preservados, é o Baralho Visconti-Sforza, encomendado por volta de 1440 pela família Visconti, duques de Milão. Continham gravuras que foram pintadas à mão sobre fundo de ouro. Os desenhos clássicos eram sempre comuns ás pessoas do período medieval: a Roda da Fortuna, comum na arte medieval e derivada de Boécio; o Imperador e a Imperatriz; o Papa e a Papisa; a Morte ceifadora; o Julgamento com os anjos e as trombetas do Apocalipse. Todas as gravuras eram nada mais que um amontoado de iconografias cristãs e escolásticas da era medieval, não são egípcias, nem cabalísticas logo de cara, e muito menos cigana. É fundamental que o estudante sério compreenda isso desde o início: as vinte e duas cartas que hoje chamamos de Arcanos Maiores nasceram como catálogo de imagens totalmente teológicas e sociais do imaginário e do cotidiano cristão-medieval europeu, era um espelho do que o clero da época compreendia e disseminava: a hierarquia dos poderes (Papa, Imperador), as virtudes cardeais (Justiça, Força, Temperança) e os grandes temas escatológicos (Morte, Julgamento, o Diabo, o Anjo do Juízo Final soprando a trombeta que vem direto do Apocalipse de João). Essas cartas pintadas à mão não continham nenhuma atribuição hebraica, letra sagrada ou símbolo cabalístico explícito no inicio de seu uso. Elas nasceram da teologia cristã, e esse é um detalhe que boa parte da literatura popular prefere esconder porque um curso, livro ou baralho egípcio oracular vende mais do que um baralho de catecismo ilustrado.


Mas com isso, não estou diminuindo o sentido oculto do Tarot. Pelo contrário: entender essa origem é o que separa o pesquisador sério do divulgador que empilha afirmações fantasiosas sobre o Egito Antigo sem ter a fonte primária da informação verdadeira. O que desejo explicar aqui é que a magia do Tarot não esta na sua origem, de onde veio ou de como surgiu. Esta na sua estrutura. E foi exatamente essa estrutura, esse esqueleto de vinte e dois arquétipos organizados em sequência, que os ocultistas de quase três séculos depois reconheceram como um receptáculo perfeito pra algo muito mais antigo.

A Transmutação Ocultista

A “virada de chave” aconteceu em Paris, em 1781, com a publicação do oitavo volume de Le Monde Primitif, do pastor protestante (e maçom) Antoine Court de Gébelin. Gébelin foi quem, pela primeira vez propôs que o Tarot não era um simples jogo, mas um vestígio sobrevivente da sabedoria do "Antigo Egito": especificamente, um resumo dos ensinamentos do templo de Thoth, disfarçado de jogo de cartas pra escapar da destruição das bibliotecas antigas, o único livro egípcio, segundo ele, que sobreviveu às chamas da Antiguidade. Mas infelizmente, do ponto de vista da história de fato, não há nenhuma evidência arqueológica ou textual egípcia que sustente essa origem, e a cronologia simplesmente não bate com a teoria de Gébelin. O Egito Antigo colapsa como civilização religiosa organizada mais de mil anos antes do surgimento documentado do baralho em Milão. É curioso, (e muito revelador, no meu ponto de vista) que um pastor protestante tenha sido justamente quem inaugurou essa farsa em direção ao Egito, quando a origem cristã do próprio artefato estava documentada bem debaixo do seu nariz.

Mas não vou condenar o infame Gébelin á fogueira. Considero que esse seu invento histórico reconheceu que no Tarot existe uma gramática de arquétipos universais, e propôs uma chave de leitura que transformou setenta e oito imagens feitas para um jogo de gente rica numa cosmologia coerente tão forte e tão repleta que não há um ocultista no mundo que não tenha se deparado com o tarot de alguma forma. Embora a atribuição egípcia estivesse historicamente errada, Gébelin percebeu, com uma certa intuição genial, que a estrutura do deck espelhava um conteúdo velado, oculto e muito rico.

O passo seguinte, vem com famoso Éliphas Lévi, pseudônimo de Alphonse Louis Constant, o mago francês do século XIX cuja obra Dogma e Ritual de Alta Magia fez a parte que faltava: a correspondência sistemática entre os vinte e dois Arcanos Maiores e as vinte e duas letras do alfabeto hebraico, e por conseuqencia, com todos os caminhos da Árvore da Vida cabalística. O que poucos sabem, é que Lévi começou a vida como seminarista, estudando pra ser padre de Saint-Sulpice, e boa parte da estrutura moral que sobrevive em sua obra ocultista, carrega a marca dessa formação eclesiástica, ainda que ele tenha abandonado a batina muito antes de virar Éliphas Lévi, isso influenciou toda interpretação que deu origem ao seu estudo do Tarot. Contudo, Lévi não foi o primeiro a especular sobre uma ligação entre o Tarot e a Cabala; O próprio círculo de Gébelin já tateava nessa direção, através do estudioso Jean-Baptiste Alliette, mais conhecido pelo anagrama Etteilla, que foi o primeiro a tentar comercializar e vender um baralho especificamente desenhado pra fins divinatórios e ocultistas. Mas só nos estudos de Lévi foi onde se iniciou a interpretação utilizando a correspondência hebraico-cabalística e o peso de sistema iniciatico, ligando o Tarot ao Sefer Yetzirah e ás tradições Judaicas. É essa amarração que vamos estudar aqui e ver em detalhes na parte 2 dessa serie de artigos, e que passa a ser a padra angular de toda leitura hermética do baralho.


Depois de Lévi, o médico e ocultista francês Papus sistematizou e popularizou essa síntese no livro O Tarot dos Bohemios, obra que consolidou definitivamente o Tarot como ferramenta de estudo cabalístico estruturado. Codificando toda a matemática oculta através da aplicação estrita do Tetragrammaton, o Nome de Deus revelado a Moisés na sarça ardente, e da lei do quaternário na estrutura inteira do baralho, Papus influenciou diretamente a geração seguinte de ocultistas do mundo todo.

A Revolução da Golden Dawn:

O ponto final dessa transmutação aconteceu em Londres, no fim do século XIX, dentro da Hermetic Order of the Golden Dawn, a ordem iniciática que reuniu, (e no meu ponto de vista particular: dilacerou, destruiu) em disputas internas memoráveis as mentes ocultistas e as principais obras, ensinamentos e conhecimentos mais influentes e importantes do Ocidente moderno. Foi dentro da Golden Dawn, sob a "liderança" de Samuel Liddell MacGregor Mathers, que o Tarot recebeu seu tratamento mais rigoroso e complexo: cada um dos vinte e dois Arcanos Maiores foi definitivamente atribuído a um caminho específico da Árvore da Vida e a um dos doze signos zodiacais, sete planetas clássicos e quatro elementos; cada uma das cinquenta e seis cartas dos Arcanos Menores recebeu um título e uma correspondência astrológica, os chamados decanatos; e o sistema ganhou uma coerência matemática que nenhuma versão anterior jamais possuía, alinhando as rotas do Tarot aos trinta e dois Caminhos da Sabedoria do Sepher Yetzirah. Um trabalho memorável que provavelmente gastou os últimos neurônios lucidos de Mathers.

Dessa matriz da Golden Dawn nascem os dois decks que, até hoje, definem o campo do Tarot ocultista: o de Rider-Waite-Smith, publicado em 1909 por Arthur Edward Waite com as ilustrações de Pamela Colman Smith, e o Tarot de Thoth de Aleister Crowley, pintada ao longo de cinco anos por Lady Frieda Harris e publicada apenas em 1969. Ambos os autores foram membros, em diferentes períodos e com diferentes graus de conflito, da Golden Dawn e ambos herdaram o mesmo esqueleto cabalístico-astrológico. No entanto, os dois produziram sistemas visuais e filosóficos profundamente diferentes um do outro, como vamos ver com detalhe na terceira parte deste artigo. Crowley, inclusive, reformulou nomenclaturas inteiras dentro do próprio tarot: a Justiça virou Ajustamento, a Força virou Luxúria, o Julgamento vira O Éon, assim ele reorganizando correspondências astrológicas com base na própria pesquisa cabalística e alquímica e nas próprias crenças.

O que fica, ao final desse percurso de quatro séculos, é uma linhagem triste de um jogo de cartas da corte italiana do século XV, nascido dentro da perspectiva cristã medieval, e tomado, três séculos depois, por uma tradição ocultista que projetou no pobre baralho uma origem egípcia lendária e um oraculo nada sagrado. Embora, admito que no processo de usurpação se construiu uma correspondência cabalística e hermética fantastica, inspirada numa tradição judaica sobre as letras sagradas, e depois sistematizada e aperfeiçoada pelo próprio coletivo. O Tarot que estudamos hoje não é mais o simples Tarot de Milão. É um artefato de sincretismo ocultista, construído por muitas mentes, mas é precisamente esse sincretismo, essa arquitetura sobreposta, que confere ao tarot a densidade simbólica que nenhum "baralho de oráculo" contemporâneo, criado do zero por um ilustrador sem lastro na tradição, jamais vai conseguir replicar. É o contexto histórico complexo que faz dele uma joia de estudos, não seu caráter Oracular que de nada poderia servir.

2° Parte: A Geometria Hermética e Cabalística

Hoje, o Tarot divide-se em duas estruturas articuladas entre si: os vinte e dois Arcanos Maiores, que mapeiam o macrocosmo e os vinte e dois caminhos da Árvore da Vida, e os cinquenta e seis Arcanos Menores, que mapeiam o microcosmo, os quatro planos de manifestação regidos pelo Tetragrammaton.

- Os 22 Arcanos Maiores e os 22 Caminhos da Árvore da Vida

A Árvore da Vida da Cabala mística, o Etz Chaim, é composta por dez Sephiroth, emanações ou esferas divinas, de Kether, a Coroa, até Malkuth, o Reino, interligadas por vinte e dois caminhos. Não é coincidência que sejam vinte e dois: é exatamente o número de letras do alfabeto hebraico, e o Sefer Yetzirah, o "Livro da Formação", um dos textos fundacionais da Cabala, já ensinava que Deus criou o universo através de trinta e dois "caminhos de sabedoria": as dez Sephiroth mais essas vinte e duas letras-caminho.

Vale conhecer também a arquitetura interna dessas vinte e duas letras e aqui na Nexo farei um artigo focado apenas nelas, justamente porque ela se repete depois na lógica dos próprios Arcanos: o Sefer Yetzirah as divide em três bases (Aleph, Mem e Shin, correspondentes aos três elementos primordiais, Ar, Água e Fogo), sete Letras Duplas (correspondentes aos sete planetas clássicos) e doze Letras Simples (correspondentes aos doze signos do zodíaco). Essa mesma tripla divisão, três, sete, doze, organiza os vinte e dois Arcanos Maiores por trás da numeração sequencial que todo estudante acaba decorando primeiro.

A atribuição da Golden Dawn faz corresponder cada Arcano Maior a um desses caminhos, e como falei antes, a cada uma das letra hebraica específica, com sua respectiva ordem numerológica, elemental ou astrológica. Este é o mapa completo:

Arcano Maior

Letra Hebraica

Atribuição Astrológica/Elemental

Caminho na Árvore da Vida

0 — O Louco

Aleph

Ar primordial

Kether–Chokmah

I — O Mago

Beth

Mercúrio

Kether–Binah

II — A Sacerdotisa

Gimel

a Lua

Kether–Tiphareth

III — A Imperatriz

Daleth

Vênus

Chokmah–Binah

IV — O Imperador

Heh

Áries

Chokmah–Tiphareth

V — O Hierofante

Vav

Touro

Chokmah–Chesed

VI — Os Enamorados

Zayin

Gêmeos

Binah–Tiphareth

VII — O Carro

Cheth

Câncer

Binah–Geburah

VIII — A Força

Teth

Leão

Chesed–Geburah

IX — O Eremita

Yod

Virgem

Chesed–Tiphareth

X — A Roda da Fortuna

Kaph

Júpiter

Chesed–Netzach

XI — A Justiça

Lamed

Libra

Geburah–Tiphareth

XII — O Enforcado

Mem

a Água

Geburah–Hod

XIII — A Morte

Nun

Escorpião

Tiphareth–Netzach

XIV — A Temperança

Samekh

Sagitário

Tiphareth–Yesod

XV — O Diabo

Ayin

Capricórnio

Tiphareth–Hod

XVI — A Torre

Peh

Marte

Netzach–Hod

XVII — A Estrela

Tzaddi

Aquário

Netzach–Yesod

XVIII — A Lua

Qoph

Peixes

Netzach–Malkuth

XIX — O Sol

Resh

o Sol

Hod–Yesod

XX — O Julgamento

Shin

o Fogo

Hod–Malkuth

XXI — O Mundo

Tau

Saturno e a Terra

Yesod–Malkuth

O efeito prático de toda essa correspondência é que cada Arcano Maior deixa de ser uma carta isolada e passa a ser uma estrada no mapa da consciência superior. Meditar sobre um Arcano, dentro dessa linha de raciocínio, é caminhar sobre um trecho determinado da Árvore da Vida; puxar os vinte e dois Arcanos em sequência, como fazem certos exercícios de estudo avançado, é percorrer a totalidade do caminho iniciático que vai de Malkuth, como mundo material denso, até o Reino, até Kether, a Coroa, a unidade primordial. Cada Arcano Maior é, nesse sentido, o trecho visual de uma rota específica: quando o praticante exercita a visualização sobre o Louco ou sobre a Sacerdotisa, ele não está só contemplando um desenho, está sintonizando a própria consciência naquela aspecto cabalístico específico.


As vinte e duas letras hebraicas pra tradição que estou descrevendo, são os tijolos com os quais o universo foi articulado, e os vinte e dois Arcanos Maiores são a tradução visual direta dessa muralha universal. É uma ideia que ecoa desde a época em que salmistas hebreus cantavam muito tempo antes de qualquer cabalista sistematizar coisa alguma: que os céus foram feitos pela palavra do Senhor, e todo o seu exército pelo sopro da sua boca (Salmos 33:6). A palavra que constrói os mundos não é invenção de meros ocultistas. É uma interpretação muito mais antiga, estudada por eles, não inventada por eles. É essa correspondência, aliás, que explica por que decks puramente "estéticos e bonitos", desenhados sem qualquer ancoragem nessa tradição sagrada, tendem a se esvaziar rápido nas mãos de um praticante sério: são bonitos, mas ocos. São peças do imaginativo popular usada pra tentar prever o futuro, o que profana de modo completamente displicente a ferramenta de compreensão do macrocosmo e portanto do microcosmo que temos em mãos. Não carregam o lastro estrutural que faz o sistema funcionar como tecnologia de autoconhecimento, mas só como um estímulo projetivo genérico da soberba humana na intenção pecaminosa de tentar adivinhar o que os dedos do destino podem traçar, o que é uma coisa bem mais pobre.

Os 56 Arcanos Menores: Os Quatro Elementos e o Tetragrammaton

Se os Arcanos Maiores mapeiam as forças arquetípicas e cósmicas, os cinquenta e seis Arcanos Menores mapeiam a manifestação dessas forças no plano de experiencia, e a chave que organiza tudo isso é cabalística: o Tetragrammaton, o Nome Sagrado de quatro letras, o mesmo Nome tão sagrado que a tradição judaica evita até pronunciá-lo em voz alta.

A estrutura é fantastica na própria simetria e compõe, ao meu ver, um dos livros mais belos da sabedoria ocultista. Os quatro naipes do Tarot correspondem aos quatro elementos clássicos, às quatro letras do Nome Sagrado, e, numa camada adicional que vale a pena conhecer bem, aos Quatro Mundos da Cabala:

  • Paus (Wands): elemento Fogo, corresponde ao Yod, o impulso primogênito, a vontade criativa, a centelha inicial da manifestação, situado no plano de Atziluth, o Mundo das Emanações.

  • Copas (Cups): elemento Água, corresponde ao primeiro Heh, a emoção, a receptividade, o mundo dos afetos e da intuição, situado no plano de Briah, o Mundo da Criação.

  • Espadas (Swords): elemento Ar, corresponde ao Vav, o intelecto, o conflito, a espada de dois gumes da razão que tanto corta quanto separa, situado no plano de Yetzirah, o Mundo da Formação. (aqui, Cristãos podem perceber o paralelo com a carta de Paulo aos Hebreus que diz: “A palavra de Deus é viva, e eficaz e mais afiada que uma espada de dois gumes. Ela penetra fundo para dividir alma e espírito, juntas e medulas, e julga os pensamentos e as intenções do coração humano”)

  • Ouros ou Pentáculos (Pentacles): elemento Terra, corresponde ao segundo Heh, o corpo, a matéria, a consolidação final da força no plano físico, situado no plano de Assiah, o Mundo da Matéria, sob a Sephirah Malkuth.

Dentro de cada naipe, as dez cartas numéricas, do Ás ao Dez, correspondem, por sua vez, às dez Sephiroth da Árvore da Vida, de modo que o Dois de Copas, por exemplo, carrega a assinatura de Chokmah, a segunda Sephirah, associada à sabedoria e à polaridade, filtrada pelo elemento Água. É esse elemento do naipe que cruzado com a Sephirah do número, que dá aos Arcanos Menores sua precisão cirúrgica quando lidos dentro do sistema hermético, algo que se perde completamente quando o estudante os trata como meras "cartas de previsão do futuro" de menor importância, o que é comum entre iniciantes que memorizam livretos de significado sem nunca compreender a lógica macrocósmica do instrumento que eles tem em mãos.

As quatro cartas de corte de cada naipe, o Valete (ou Pajem, ou ainda Princesa/Príncipe, dependendo do sistema), o Cavaleiro, a Rainha e o Rei, completam o quadro representando, dentro de cada elemento, os quatro subelementos ou estágios de manifestação daquela força, do mais jovem e instável ao mais consolidado e maduro, fechando um sistema de setenta e oito cartas que, repete em miniatura toda a estrutura da Árvore da Vida e do Tetragrammaton: o macrocosmo espelhado, carta a carta, no microcosmo do baralho. Isso por si só já vale uma vida inteira de estudos.

3° Parte: O Tarô e a Psicologia de Jung

Existe uma terceira chave de leitura, mais recente que a Cabala, mas que hoje disputa espaço com elas em praticamente qualquer curso sério de Tarot: a leitura junguiana, que trata o baralho não como sistema de correspondência cósmica, mas como mapa do inconsciente.


Carl Gustav Jung, o psiquiatra suíço que rompeu com Freud justamente por insistir que a psique humana carrega camadas mais profundas e mais universais do que o inconsciente pessoal, nunca escreveu um livro inteiro sobre Tarot, mas mencionou o baralho algumas vezes em seminários e correspondências, reconhecendo nos Arcanos Maiores uma sequência de imagens muito próxima do que ele chamava de arquétipos: padrões psíquicos universais, herdados, que se repetem em mitos, sonhos e religiões de povos que nunca tiveram contato entre si. Foi só décadas depois, com a analista junguiana Sallie Nichols e seu Jung and Tarot: An Archetypal Journey, que essa intuição virou sistema: Nichols percorre os vinte e dois Arcanos Maiores como se fossem as etapas sucessivas do processo de conhecimento individual, ou do caminho descrito por Jung, que leva o indivíduo do ego fragmentado até o Self integrado.

Lidos através dessa visão, os Arcanos deixam de ser a rota cabalística que discutimos até aqui e passam a ser estações de uma jornada psicológica que qualquer ser humano, uma jornada do herói, por assim dizer, onde cristão ou não, ocultista ou não, pode atravessar em algum grau: o Louco que é o impulso inicial, ingênuo e corajoso, de sair de casa sem saber o que espera lá fora; o Enforcado que é a rendição necessária, a suspensão voluntária do controle que precede toda transformação de verdade; a Morte que não é literal, e sim o fim de uma identidade velha que precisa morrer pra que outra nasça; e o Mundo, que é arcano final, a imagem da individuação completa, o Self inteiro, todas as partes reconciliadas numa única figura dançando dentro de uma grinalda.

Uso bastante essa interpretação com os alunos da Nexo, mas com uma ressalva que considero importante, e que poucos manuais de tarô junguiano fazem questão de mencionar: o próprio Jung, no fim da vida, ao escrever sobre os símbolos que a civilização ocidental usa pra representar o Self, ou seja, o centro integrado que toda alma busca, não escolheu nenhum arcano do Tarot como o exemplo mais completo. Escolheu a figura de Cristo. Em Aion, um dos seus últimos grandes trabalhos, Jung trata Cristo explicitamente como o símbolo mais desenvolvido do Self dentro da tradição ocidental, precisamente porque reúne, numa única figura histórica, o sacrifício voluntário do Enforcado, a morte que precede toda transformação, e a totalidade reconciliada do Mundo. O Tarô, sob essa visão, não consegue competir com essa imagem. Na realidade, ilumina ela, carta por carta, fragmentando em setenta e oito imagens o intrínseco processo que a própria tradição cristã já resumia numa figura só: Jesus Cristo.

Bônus: Como Escolher Seu Primeiro Deck (Sem Frescura)

Chegamos ao playground do artigo: á pergunta que traz a maioria dos leitores até este post; qual baralho devo comprar primeiro. E aqui vale um alerta direto, fruto de anos de erros e acertos: a escolha do primeiro deck não pode, em hipotese alguma, ser guiada só pela estética da capa ou pela beleza das figuras. Deve ser guiada pela pergunta "este sistema tem conexão estrutural com a tradição profunda e com a raiz macrocósmica do sistema original, ou é só decorativo?"

Existem três grandes tradições de referência dentro do Tarot ocultista, e cada uma serve a um propósito e a um perfil de estudante diferente.


O Tarot de Marselha:

O Tarot de Marselha é a linha mais antiga ainda em circulação corrente, derivada diretamente das xilogravuras francesas dos séculos XVII e XVIII: um estilo de impressão simples, com blocos de cor chapada, basicamente azul, vermelho, amarelo, branco, preto, verde e o tom de pele, e traços firmes, sem o refinamento pictórico posterior. É a tradição mais próxima, visualmente, do Tarot histórico anterior à grande sistematização ocultista, e por isso conserva, mais do que qualquer outra versão, aquele vocabulário cristão-medieval original que vimos no começo do artigo. Ou seja, o Papa continua sendo Papa, sem disfarce nenhum.

O ponto central de atenção pra quem considera o Marselha como primeiro deck: os Arcanos Menores não são ilustrados narrativamente. Diferente do Rider-Waite-Smith, onde cada carta de naipe conta uma pequena cena, no Marselha o Três de Copas, por exemplo, mostra só três cálices dispostos um do lado do outro, sem figuras, sem cenário. Isso obriga o estudante a trabalhar direto com a correspondência numerológica e elemental pura, o número três dentro do elemento Água, sem a muleta narrativa de uma ilustração. É um caminho de leitura mais abstrato, mais "geométrico", extremamente valioso pra quem já tem alguma base e quer aprofundar a compreensão estrutural antiga, como conversamos aqui.

Rider-Waite-Smith (RWS)

O Rider-Waite-Smith, publicado em 1909, é a revolução silenciosa que Pamela Colman Smith operou sobre o sistema herdado da Golden Dawn: pela primeira vez, todas as setenta e oito cartas, não só os Arcanos Maiores, mas também os Menores, recebem ilustração narrativa completa, com figuras humanas em cena, expressão e movimento. O Dez de Espadas deixa de ser dez espadas organizadas e passa a ser a imagem visceral de um corpo caído sob dez lâminas, sob um céu escurecido: a ruína total esta na cena como um todo, não só o número correspondente.

Vale saber, porque explica muita coisa sobre esse deck em particular, que Arthur Edward Waite era um místico cristão convicto, fundador anos depois da própria "Fellowship of the Rosy Cross", e essa inclinação aparece com todas as letras no baralho que ele supervisionou. O Hierofante do RWS segura, explicitamente, as chaves cruzadas de São Pedro, "as chaves do Reino dos Céus" do Evangelho de Mateus; o Enforcado é desenhado com o corpo em posição de crucificação invertida e um halo dourado ao redor da cabeça, criando uma citação direta à tradição de que Pedro pediu pra ser crucificado de cabeça pra baixo, por se considerar indigno de morrer como o próprio Cristo. Waite não escondeu essas referências. Ele as colocou lá de propósito, sabendo exatamente qual era o público ocultista que ia manusear aquelas cartas.

Essa decisão de Smith, tomada sob orientação de Waite, é o motivo pelo qual esse baralho se tornou, e continua sendo, o ponto de entrada mais recomendado pra esmagadora maioria dos estudantes sérios. A narrativa funciona como andaime: o iniciante consegue lembrar das correspondências cabalistas e originarias na cena enquanto internaliza, em paralelo, a correspondência subjacente que dá à verdadeira lógica profunda, a linguagem do baralho de Waite atua direto sobre o subconsciente, facilitando o treino de visualização e a memorização das correspondências. É o deck sobre o qual a maior parte da literatura ocultista de língua inglesa do século XX foi escrita, o que também significa que é o deck com a base de livros interessantes mais vasta e mais acessível pra dar suporte ao estudo.

O Tarot de Thoth

O Tarot de Thoth, concebido por Aleister Crowley e pintado por Lady Frieda Harris entre 1938 e 1943, é a obra mais densa e mesmo mais pobre tecnicamente das três. Crowley reformulou nomenclaturas inteiras, como já vimos, reorganizou correspondências com base na própria (loucura) experiência, e Harris traduziu tudo isso numa disposição visual onde tentou incorporar a geometria sagrada, o simbolismo alquímico, cores trabalhadas segundo a escala de cores da própria Golden Dawn, o que está a anos-luz da verdadeira interpretação que foi dada originalmente ao Tarot. Os Menores, no Thoth, não são simples cenas que nos ajudam a lembrar a ligação ancestral da carta, mas representações de vetores de força e das dinâmicas próprias dos decanatos astrológicos estudados e interpretados por seus estudos e devaneios particulares.

Admito que é um deck extraordinário em relação á complexidade de informações contidas nele, mas não é recomendável como primeiro (ou segundo) deck pra quase ninguém. O vocabulário dele pressupõe familiaridade prévia com Cabala, astrologia, alquimia, a cosmologia thelêmica de Crowley, e com toda cosmologia egípcia; e sem essa base, as cartas tendem a virar puramente decorativas nas mãos do iniciante, o oposto exato do que se busca no tarot tradicional. O Thoth é, com propriedade, um deck de terceira etapa, utilizado pra uma abordagem particular pra quem estuda a visão de Crowley.

O Que Evitar ao Comprar o Primeiro Deck

Alguns critérios negativos, que infelizmente precisam ser citados são:

  • Decks puramente ilustrativos, sem estrutura simbólica correspondente. O mercado esotérico está cheio de baralhos "oráculo" ou "tarot temático", de fadas, de gatos, de séries de TV, de determinada mitologia pop, que copiam a nomenclatura e a numeração do Tarot tradicional sem preservar as correspondências cabalísticas, astrológicas ou elementais que dão sustentação ao sistema. São, na melhor das hipóteses, produtos puramente comerciais vendidos sob um verniz esotérico que não corresponde a nada de sério.

  • Perda de correspondência elemental ou numerológica. Alguns decks modernos reorganizam ou renomeiam naipes por preferência estética sem preservar a lógica original, um erro que compromete todo o edifício de estudo descrito neste artigo. Um baralho que altera o nome dos Arcanos Maiores ou troca o nome dos naipes sem critério tradicional rompe a cadeia cabalística construída por séculos de prática iniciática.

  • Materiais de baixa qualidade como critério de escolha isolado. Papel fino demais, impressão de baixo contraste, edições "miniaturizadas" ou pirateadas que tornam impossível observar direito os glifos e símbolos..

A recomendação prática, direta e sem rodeios, pra quem está começando agora é o Rider-Waite-Smith, ou uma de suas edições fiéis, como o Smith-Waite Centennial, este sim é o ponto de partida mais sólido pra esmagadora maioria dos estudantes, justamente por equilibrar acessibilidade visual com rigor estrutural cabalístico do original. O Marselha é a escolha certa pra quem já tem alguma base e busca depurar a compreensão pura.

Conclusão: O Espelho do Micro e do Macrocosmo

O que emerge desse percurso, da corte de Milão às gravuras de Gébelin, das correspondências de Lévi à sistematização exaustiva da Golden Dawn, até a leitura que Jung e seus herdeiros fariam séculos depois, é a imagem de um sistema vivo, construído em camadas sucessivas por algumas das mentes mais rigorosas que o Ocidente produziu, tanto cristãs, judaicas e científicas, cada uma acrescentando sua própria camada sem apagar a anterior. Não é um oráculo ingênuo de adivinhação, mas uma tecnologia de estudo do universo muito bem arquitetada: setenta e oito imagens que replicam, em miniatura, a totalidade da Árvore da Vida, do Tetragrammaton e dos quatro elementos, o macrocosmo espelhado, carta a carta, projetado minuciosamente na vida de quem se dispõe a estudá-lo com a seriedade que o sistema exige.

Escolher o primeiro deck com discernimento, entendendo por que o de Marselha é geométrico, por que o de Waite é narrativo, e por que o Thoth é extremamente particular á uma única tradição especifica, é o primeiro ato desse estudo, não é um detalhe de gosto pessoal ou de disputa. É a decisão que determina se o baralho vai se tornar, nos próximos anos, uma ferramenta de compreensão genuína ou só mais um objeto decorativo na estante de alguém, ou pior, um oraculo na mesa de um esquisoterico ganancioso. E se há uma coisa que espero ter deixado clara ao longo deste texto, é que autoconhecimento genuíno nunca aponta só pra dentro: as coisas invisíveis da criação, como já dizia a abertura deste texto, podem ser compreendidas pelas coisas que estão feitas. A gloria do próprio criador está replicada na criação. Assim como o Todo está presente em Tudo.

Na Parte 2 deste guia, vou avançar desse estudo dogmatico para o trabalho do operador de campo: como preparar o espaço de estudo e isolá-lo de ruídos vibracionais indesejados; os métodos tradicionais de separação do deck; o método de estudo e o pathworking com Visualização Plástica, técnica de meditação ativa pra ingressar dentro da imagem das cartas; a disciplina, pouco graciosa mas indispensável, do estudo diário; e o processo de consagração que separa o simples baralho de cartolina de um objeto quase sagrado.

Bibliografia Recomendada

  • WAITE, Arthur Edward. The Pictorial Key to the Tarot. London: William Rider & Son, 1910. O manual original de referência do sistema Rider-Waite-Smith, escrito pelo próprio criador teórico do deck.

  • LÉVI, Éliphas. Dogme et Rituel de la Haute Magie (Dogma e Ritual da Alta Magia). São Paulo: Editora Pensamento, 2017 [1854-56]. A obra fundacional que estabelece a correspondência entre os Arcanos Maiores e o alfabeto hebraico.

  • CASE, Paul Foster. The Tarot: A Key to the Wisdom of the Ages. Los Angeles: Builders of the Adytum, 1947. Leitura cabalística sistemática e didática, referência central da linhagem B.O.T.A.

  • REGARDIE, Israel. The Golden Dawn: The Original Account of the Teachings, Rites and Ceremonies of the Hermetic Order of the Golden Dawn. Saint Paul: Llewellyn Publications, 1989 [1937-40]. A exposição completa e detalhada dos rituais, correspondências e sistema de estudo da Ordem.

  • CROWLEY, Aleister. The Book of Thoth: A Short Essay on the Tarot of the Egyptians. London: O.T.O., 1944. O comentário do próprio Crowley sobre seu deck, indispensável pra quem avança ao estudo do Tarot de Thoth.

  • PLACE, Robert M. The Tarot: History, Symbolism, and Divination. New York: Jeremy P. Tarcher/Penguin, 2005.

  • SANESI, Giordano (Giangregorio Sanesi). Estudos sobre os Trionfi e a origem histórica documental dos baralhos italianos do século XV, referência pra base histórica factual tratada no Capítulo 1.

  • NICHOLS, Sallie. Jung and Tarot: An Archetypal Journey. York Beach: Samuel Weiser, 1980. A referência central da leitura junguiana dos Arcanos Maiores, tratada no Capítulo 2.

  • JUNG, Carl Gustav. Aion: Contribuições aos Simbolismos do Self. Petrópolis: Vozes, 1990 [1951]. Onde Jung desenvolve Cristo como símbolo do Self dentro da tradição ocidental.

Nexo do Oriente — curadoria e pesquisa em Ocultismo, Hermetismo e Tradições Iniciáticas.

 

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